sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Soneto de carnaval



Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

                               (Oxford, carnaval de 1939.)

MORAES, Vinícius de, Livros de sonetos.
São Paulo: companhia das Letras, 1991.

1. Caracterize o amor descrito pelo eu lírico nesse poema,
2. Explique a razão do título “Sonetos de carnaval”.

Mal Secreto



Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

Raimundo Correia. Rio de Janeiro: Agir, 1978.


1. Qual é a temática do poema?
2. Qual a função morfológica da palavra se no início da primeira e da segunda estrofe?
3. Seria melhor se as pessoas mostrassem claramente seus sentimentos? Esclareça sua resposta.

Poema que aconteceu



Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.


A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.


ANDRADE, Carlos Drummond de,
Sentimento do mundo. São Paulo: Record, 1999.

Leia o poema e responda:

1. Segundo o texto, o que daria vida a esse domingo sem nenhuma perspectiva de mudança?
2. Que versos, na segunda estrofe, apresentam conjunções subordinativas?
3. Retire do texto as orações que apresentam conjunções subordinativas.

A Gaiola



E era a gaiola e era a vida era a gaiola
e era o muro a cerca e o preconceito
e era o filho a família e a aliança
e era a grade a filha e era o conceito
e era o relógio horário o apontamento
e era o estatuto a lei e o mandamento
e a tabuleta dizendo é proibido.


E era a vida era o mundo e era a gaiola
e era a casa o nome e a vestimenta
e era o imposto o aluguel a ferramenta
e era o orgulho e o coração fechado.
E era o amor e o desamor e o medo de magoar
e eram os laços e o sinal de não passar.
E era a vida era a vida o mundo e a gaiola
e era a vida e a vida era a gaiola.

Maria do Carmo B. C. de Melo

1. Leia o poema:
a) Explique por que o poema se chama “A gaiola”.
b) Explique o sentido expresso pela repetição da conjunção coordenativa aditiva e.
c) Suponha que não houvesse nenhuma conjunção e no poema. Que sentido essa ausência da conjunção conferiria ao texto?
d) Que relação de sentido há no emprego da conjunção e neste verso: “e era a vida e a vida era a gaiola”.

Complemento nominal

 


Predicativo e adjunto adnominal


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Vocabulário 3 - inglês/português

Co-workers = colegas de trabalho

Look at = olha para
Cut = cortar
A work schedule = um horário de trabalho
Before = antes, antes de
After = depois, depois de
Everybody = todos, toda gente
If = se
Party = festa
Trip = viagem (curta)
Ways = maneiras
Tired = cansado
Rivers = rios
Sea = mar
Nowadays = hoje em dia
Another = um outro
Pressing = urgente
Needed = necessitado
Either = ou

Near = perto

Com licença poética



 Adélia Prado



Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

PRADO, Adélia, Bagagem. São Paulo: Record, 2003.

Batons Líquidos Negra Rosa