quinta-feira, 26 de maio de 2016

Cara Minha Inimiga

Cara minha inimiga, em cuja mão 
Pôs meus contentamentos a ventura,
 
Faltou-te a ti na terra sepultura,
 
Por que me falte a mim consolação.
 

Eternamente as águas lograrão
 
A tua peregrina formosura:
 
Mas enquanto me a mim a vida dura,
 
Sempre viva em minha alma te acharão.
 

E, se meus rudos versos podem tanto,
 
Que possam prometer-te longa história
 
Daquele amor tão puro e verdadeiro,
 

Celebrada serás sempre em meu canto:
 
Porque, enquanto no mundo houver memória,
 
Será a minha escritura o teu letreiro.
 

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

terça-feira, 24 de maio de 2016

Resumo do livro Pra que serve?, de Ruth Rocha


Mesmo que não haja uma definição específica do que seja romance juvenil, é comum os autores consagrados da literatura infantil também se aventurarem no universo adolescente ou juvenil, escrevendo narrativas que enfocam as questões “próprias” da idade: medos, relacionamentos, separação de pais, entre outros. 
O livro Pra que serve?, de Ruth Rocha, uma das obras que fazem parte da coleção Literatura em Minha Casa, distribuída para alunos de escola pública de todo o Brasil, nessa obra, em uma historia bem interessante, começa quando marina vai para um acampamento nas férias e lá ela encontra pessoas que conhecem e não, ela fica em um quarto com mônica, Mirna e as geme-as Paula e Patrícia, no segundo dia todo mundo vai para a aula de artes,  Marina faz um jacaré e depois quando ela vai para o quarto Pedro chega para ela e pergunta,  Marina pra que serve esse jacaré? Marina não sabe responder e fica pensando a respeito.
No dia seguinte fica perguntando para as pessoas e para si mesma para que servem as coisas. Pra que serve a arte? Pra que serve o dinheiro? Pra que serve o amor? Uma questão passa a inquietar o leitor: por que será que ela precisa saber as funções das coisas? Por que ela não tira essa pergunta da cabeça? Depois de muito questionar, a adolescente percebe que nem tudo tem uma resposta simples, que devemos aproveitar ao máximo nossas vidas, curtir todos os momentos, aprender com cada experiência e, mesmo com medo, enfrentar as mudanças e seguir em frente. São adolescentes que não se convivem, mas que curtem juntos todo o período de férias, vivenciando novas descobertas.  


Ruth Rocha - Vida e obras



De como a menina que devorava livros virou a escritora que aprendeu a voar.
Quando Ruth Rocha sorri o mundo parece sorrir à sua volta. Na verdade são muitos mundos que se iluminam diante do seu eterno olhar de menina. A começar pelo que ela viu se transformar em mais de 80 anos de vida, metade deles dedicados a escrever histórias que marcam a vida de milhões de crianças e jovens.
Uma das maiores escritoras da literatura infanto-juvenil brasileira, Ruth nasceu em 2 de março de 1931, em uma São Paulo muito diferente onde cada bairro parecia uma cidade do interior. Na Vila Mariana onde cresceu haviam grandes chácaras, com muitas árvores, carregadas de flores e frutos, quintais e caminhos de terra que foram cenário para as suas brincadeiras e aventuras de infância.
A segunda filha do Doutor Álvaro e de dona Esther, ouviu da mãe as primeiras histórias contadas como tradição de família ou lidas em livros de contos clássicos e de Monteiro Lobato.
O mundo da literatura se abriu de vez com Reinações de Narizinho e Emília conquistou sua identificação imediata, na irreverência e no bom humor que definem seu jeito de ser e na incorporação do imaginário à realidade que influenciou sua arte de escrever.
No caldeirão de histórias que iam se misturando e fertilizando a memória da futura escritora estão os causos e contos narrados pelo avô baiano. Mestre em fundir a tradição de histórias folclóricas dos Irmãos Grimm, Perrault, Andersen e As mil e uma noites com o universo popular brasileiro, principalmente do interior da Bahia, com suas bonecas de piche e macacos que perdiam o rabo, Vovô Ioiô cantava e inventava músicas , fazia versos e anedotas e viajava por lugares improváveis como Caixaprego e a Ladeira do Escorrega.
a casa da família de cinco irmãos havia uma biblioteca onde Ruth se encantou com um livro que não tinha nada de infantil mas que a despertou para a sonoridade e rima dos versos dos cantores nordestinos. Ainda adolescente descobriu a Biblioteca Circulante no centro da cidade. Decidiu ler todos os livros do mundo, começando por ali, prateleira por prateleira. E se aborrecia quando o próximo da fila havia sido emprestado.
Nada lhe escapava, dos romances aos relatos de viagem passando pela poesia. Seus preferidos eram Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Machado de Assis, mais tarde Guimarães Rosa e de novo e sempre Monteiro Lobato. Mas foi Eça de Queiroz com A cidade e as serras lido para um trabalho de ginásio aos 13 anos que a fez se apaixonar de vez pela literatura.
Formada em Ciências Políticas e Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo foi aluna do autor de Raízes do Brasil, o mestre Sérgio Buarque de Holanda que a guiou numa viagem de estudo pelas ruas de Ouro Preto. Na faculdade, conheceu e se apaixonou pelo industrial Eduardo Rocha com quem se casou e viveu por 56 anos até o falecimento dele em 2012. Juntos tiveram a filha Mariana, inspiração das suas primeiras histórias.
Ruth começou a trabalhar na biblioteca do Colégio Rio Branco e logo em seguida se tornou Orientadora Educacional do mesmo colégio, entre 1957 e 1972. Foi durante essa época que passou a escrever sobre educação para a revista Cláudia, a convite do amigo Carlos Alberto Fernandes.
Sua visão moderna sobre o tema e o estilo próprio e direto, chamaram a atenção de outra amiga, Sonia Robato, que dirigia a Recreio, revista de histórias e brincadeiras para o público infantil.
Sonia fez um convite que se tornou um desafio para Ruth. Em tom de brincadeira ela trancou a amiga numa sala dizendo que só saísse de lá com uma história pronta.
Foi então que se lembrou da pergunta feita pela filha Mariana que gostava de ouvir a mãe inventando histórias e queria saber por que preto era pobre. Se para a socióloga a resposta renderia uma tese, para a futura escritora foi o ponto de partida para Romeu e Julieta, o encontro de duas borboletas de reinos e cores diferentes que souberam derrubar preconceitos para se tornarem amigas.
Seria a primeira de uma série de histórias sempre originais, divertidas e que faziam pensar publicadas na Recreio. A revista que Ruth depois veio a dirigir se tornou um marco, lançando a partir de 1969 toda uma geração de autores e ilustradores que começaram a escrever um novo e importante capítulo da literatura infantil no Brasil.
Mas ainda levaria alguns anos para Ruth ter um livro publicado. Antes disso, iniciou uma nova carreira: a partir de 1973 se tornou editora de livros, revistas e fascículos passando a coordenar o departamento de publicações infanto-juvenis da Editora Abril.
Palavras, muitas palavras veio a público pela primeira vez em 1976. Brincando com o alfabeto, Ruth cria versos e rimas que remetem às modinhas, parlendas e trava-linguas com a sonoridade dos contos de tradição oral da sua infância. Estavam lá desde o começo o jeito inovador de se dirigir ao leitor e as influências presentes em toda sua obra.
A literatura infantil no Brasil nunca mais foi a mesma. Ruth Rocha entrou para um universo que ajudou a revolucionar, elevou a qualidade dos livros publicados e ensinou o mercado a tratar com respeito seus pequenos leitores. Em um tempo em que criança mal tinha direito de dirigir a palavra a um adulto mostrou o quanto elas são dotadas de inteligência e senso crítico.
Tudo isso em meio a um dos períodos mais difíceis da história do país. Em plena ditadura, sua obra ousava respirar liberdade e conduzia o leitor a enxergar a realidade sem perder a fantasia. Com a ousadia e a graça de uma criança. Sempre com grande inventividade e seu estilo inconfundível.
Assim surgiram Marcelo, Marmelo, Martelo – o menino que questionava os significados e inventava novas palavras, seu maior best-seller e um dos maiores sucessos editoriais do país com 25 edições e 10 milhões de exemplares vendidos - ; O reizinho mandão – incluído na “Lista de Honra” do prêmio internacional Hans Christian Anderson - ; Nicolau tinha uma idéia e logo depois A menina que aprendeu a voarDois idiotas sentados cada qual no seu barrilO rei que não sabia de nada e Uma história de rabos presos.
Em mais de 40 anos dedicados à literatura, Ruth Rocha conta com mais 130 títulos publicados, 35 deles no exterior onde foram traduzidos para 25 idiomas. Somam-se também as mais de 60 traduções de obras infanto-juvenis além de livros didáticos, como Escrever e Criar é só começar que escreveu com Ana Flora e a coleção O Homem e a Comunicação com Otávio Roth. Uma obra reconhecida com 8 Jabutis da Câmera Brasileira de Letras.
Ruth recebeu prêmios da Academia Brasileira de Letras, da Associação Paulista dos Críticos de Arte e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Ganhou também o prêmio Santista da Fundação Bunge, o prêmio de Cultura da Fundação Conrad Wessel e a Comenda da Ordem do Mérito Cultural.
A escritora que sempre defendeu os direitos da criança foi parar na ONU, sua versão para aDeclaração Universal dos Direitos Humanos teve lançamento na sede da Organização das Nações Unidas em Nova York, em 1988.
A menina que um dia decidiu ler todos os livros da biblioteca hoje tem várias bibliotecas com o seu nome, no interior de São Paulo, no Rio e em Brasília. A primeira delas foi inaugurada em 1989 em Sapopemba, na Zona Leste da capital paulista. Homenagem à autora que ampliou o alcance da literatura ajudando a formar novos leitores por todo país.
Em 2008, Ruth Rocha foi eleita membro da Academia Paulista de Letras.
O colorido dos quintais da sua infância, os jogos e brincadeiras da calçada, os meninos e meninos da vizinhança hoje habitam a série A turma da nossa rua. Ali estão personagens que se misturam à infância da filha como nas Aventuras de AlvinhoO piquenique do CatapimbaA Cinderela das Bonecas. E agora também dos seus netos. Com Miguel e Pedro os pequenos ganharam a Coleção Comecinho que a vovó Ruth escreveu e o vovô Eduardo ilustrou.
De geração em geração, para todas as idades, em quantidade e qualidade, a obra de Ruth é tão generosa quanto sua autora. Com a adaptação de clássicos como a Ilíada e a Odisséiaabriu espaço para o talento de um ilustrador que estava sempre por perto acompanhando o nascimento de cada livro. Eduardo Rocha o companheiro da vida toda fez sua estréia na nova profissão aos 60 anos e recebeu o prêmio máximo da ABL.
Entre a irreverência e a independência, acrescentando imaginação à realidade, com poesia e bom humor, invertendo mitos e fantasias, ousadas e até malcriadas mas sempre bem contadas. Suas histórias ensinam a criança a se questionar e faz o adulto enxergar e ouvir o que elas pensam como em O menino que quase virou cachorro e A menina que aprendeu a voar. Provocando a curiosidade e despertando o pensamento crítico Ruth nunca deixa de lado a esperança e o otimismo. Muitas histórias não tem um final fechado, terminam com um convite à ação e à reflexão ou simplesmente com uma provocação, a quem quiser que conte outra.
Assim toda a obra parece sorrir junto com sua autora.
E quem ouviu suas histórias na infância hoje se diverte ao contá-las e recontá-las para seus filhos. Afinal, ler e reler Ruth Rocha é descobrir em cada conto e poema, um novo capítulo de uma grande história de amor à literatura e aos livros.
Mas ao escrever as brincadeiras, confusões e aventuras de Beto, Marcelo, Nicolau, Gabriela, Caloca, Mariana e tantos outros o que Ruth revela o tempo todo é o seu profundo amor, respeito e cumplicidade por todas as crianças. Em histórias que escreve com o mesmo carinho e generosidade dos versos com que conclui um de seus poemas, toda criança do mundo cabe no meu coração.

http://www.ruthrocha.com.br/biografia

Vocabulário 1- inglês/português

Animal = animal
Always = sempre
Beard = barba
Butter = manteiga
Classroom = sala de aula
Door = porta
Eye = olho
Eyebrows = sobrancelhas
Fox = raposa
First = primeiro
Fourth = quarto
Going = indo
Head = cabeça
Hair = cabelo
High = alto
Lesson = lição ou aula

Milk = leite
More = mais

Nostril = narina
Only = somente, apenas
To use = usar, costumar

Today = hoje
To excuse = desculpar
To say = dizer
To take = tomar, pegar
Tongue = língua
Wall = parede, muro

Present tense

Forma negativa

I do not love = eu não amo
You do not love = tu não amas
He does not love = ele não ama
We do not love = nós não amamos
You do not love = vós não amais
They do not love =eles não amam

Forma interrogativa

Do I love? = eu amo?
Do you love? = tu amas?
Does he love? = ele ama?
Do we love? = nós amamos?
Do you love? = vós amais?
Do they love? = eles amam?

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Romance II ou do ouro incansável - Cecília Meireles

Mil bateias vão rodando 
sobre córregos escuros;
a terra vai sendo aberta
por intermináveis sulcos;
infinitas galerias
penetram morros profundos.
 
De seu calmo esconderijo,
o ouro vem, dócil e ingênuo;
torna-se pó, folha, barra,
prestígio, poder, engenho . . .
É tão claro! — e turva tudo:
honra, amor e pensamento.
 
Borda flores nos vestidos,
sobe a opulentos altares,
traça palácios e pontes,
eleva os homens audazes,
e acende paixões que alastram
sinistras rivalidades.
 
Pelos córregos, definham
negros a rodar bateias.
Morre-se de febre e fome
sobre a riqueza da terra:
uns querem metais luzentes,
outros, as redradas pedras.
 
Ladrões e contrabandistas
estão cercando os caminhos;
cada família disputa
privilégios mais antigos;
os impostos vão crescendo
e as cadeias vão subindo.
 
Por ódio, cobiça, inveja,
vai sendo o inferno traçado.
Os reis querem seus tributos,
— mas não se encontram vassalos.
Mil bateias vão rodando,
mil bateias sem cansaço.
 
Mil galerias desabam;
mil homens ficam sepultos;
mil intrigas, mil enredos
prendem culpados e justos;
já ninguém dorme tranqüilo,
que a noite é um mundo de sustos.
 
Descem fantasmas dos morros,
vêm almas dos cemitérios:
todos pedem ouro e prata,
e estendem punhos severos,
mas vão sendo fabricadas
muitas algemas de ferro.

De um lado cantava o sol - Cecília Meireles

De um lado cantava o sol,
do outro, suspirava a lua.
No meio, brilhava a tua
face de ouro, girassol!
 
Ó montanha da saudade
a que por acaso vim:
outrora, foste um jardim,
e és, agora, eternidade!
De longe, recordo a cor
da grande manhã perdida.
Morrem nos mares da vida
todos os rios do amor?
 
Ai! celebro-te em meu peito,
em meu coração de sal,
Ó flor sobrenatural,
grande girassol perfeito!
 
Acabou-se-me o jardim!
Só me resta, do passado,
este relógio dourado
que ainda esperava por mim . . .

Máquina breve - Cecília Meireles

O pequeno vaga-lume
com sua verde lanterna,
que passava pela sombra
inquietando a flor e a treva
— meteoro da noite, humilde,
dos horizontes da relva;
o pequeno vaga-lume,
queimada a sua lanterna,
jaz carbonizado e triste
e qualquer brisa o carrega:
mortalha de exíguas franjas
que foi seu corpo de festa.
 
Parecia uma esmeralda
e é um ponto negro na pedra.
Foi luz alada, pequena
estrela em rápida seta.
Quebrou-se a máquina breve
na precipitada queda.
E o maior sábio do mundo
sabe que não a conserta.

Marinha - Cecília Meireles

O barco é negro sobre o azul.

Sobre o azul os peixes são negros.
 
Desenham malhas negras as redes, sobre o azul.
 
Sobre o azul, os peixes são negros.
Negras são as vozes dos pescadores,
atirando-se palavras no azul.
 
É o último azul do mar e do céu.
 
A noite já vem, dos lados de Burma,
toda negra,
molhada de azul:
 
— a noite que chega também do mar.

Depois do sol...

Depois do sol...
 
Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério . . .
 
Tudo imóvel . . . Serenidades . . .
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!
 
Oh! Paisagens minhas de antanho . . .
Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . .
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho . . .
 
Seres e coisas vão-se embora . . .
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora


Pelos silêncios a sonhar . . .

Cecília Mereiles

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Van Gogh - biografia

Van Gogh (1853-1890) (1853-1890) foi um importante pintor holandês, um dos maiores representantes da pintura pós-impressionista.
Vincent Willem Van Gogh (1853-1890) nasceu em Zundert, uma pequena aldeia holandesa. Filho de um pastor calvinista foi uma criança rebelde e insociável. Em 1869 ingressa num internato provinciano. Em 1869 vai para Haia trabalhar com o tio que abriu a sucursal da Galeria Goupil, uma importante empresa que comerciava obras e livros. Depois de três anos é mandado para Bruxelas, onde passa dois anos. Depois vai para Londres, sempre a serviço da galeria.
Em 1875, van Gogh consegue sua transferência para Paris, onde julgava poder libertar-se de todas as suas frustrações. Em abril de 1876, após indispor-se com os clientes, é demitido do grupo Goupil. Vai para Inglaterra onde aceita o cargo de professor em escolas primárias de pequenas cidades. Nesse mesmo ano, em dezembro, vai para Etten, onde encontra sua família, mas suas relações familiares continuam difíceis, só sente-se compreendido por Theo, seu irmão mais novo.
Van Gogh torna-se depressivo e sofre seguidas crises nervosas, passa longos períodos de solidão. Em 1877 consegue emprego em uma livraria em Dordrecht, até que decide seguir a carreira do pai. Ingressa no Seminário Teológico da Universidade de Amsterdã. Reprovado por falta de base ingressa na Escola Evangélica, em Bruxelas. Consegue o lugar de pregador missionário nas minas de carvão de Borinage, na Bélgica. Em 1879 é demitido, pois prega pouco e preocupa-se demasiadamente com os doentes e as crianças.
Em 1880 vai para Bruxelas, e com o dinheiro que o irmão lhe manda, estuda anatomia e perspectiva. Passa os dias desenhando. Em 1881 muda-se para Haia, onde é acolhido pelo pintor Mauve. Pinta aquarelas, onde aparecem marinheiros, pescadores, camponeses. Escreve para o irmão “Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida”. Em julho de 1882 pinta seu primeiro quadro a óleo. No ano seguinte volta para casa dos pais, onde passa os dias lendo e pintando.
Em 1985 seu pai morre repentinamente. Nesse mesmo ano pinta “Os Comedores de Batata”, em um ambiente sombrio e tons escuros. Em novembro viaja para Antuérpia, onde em janeiro de 1886 inicia estudos na Academia local. Em fevereiro é acolhido por Theo, em Paris, que dirige a Galeria Goupil. Nessa época pinta “Pai Tanguy” (1887). Encontra-se com Pissarro, Degas, Gauguin, Seurat. Em dois anos pinta 200 quadros, entre eles, o “Auto Retrato” (1887).
Van Gogh encontra-se com a saúde precária e segue os conselhos de Toulouse-Lautrec, vai para o campo, em fevereiro está em Arles, pintando ao ar livre. Pinta mais de 100 quadros, entre eles, “Os Girassóis” (1888) e “Armand” (1888). Convida Gauguin para trabalharem juntos, mas Van Gogh tem crises de humor. Há relator que sua amante teria se envolvido com Gauguin e ao descobrir discute e agride o amigo com uma navalha. Arrependido corta um pedaço de sua orelha e manda num envelope para a mulher que motivou a briga. É recolhido para o hospital. Vai para casa e pinta o “Auto Retrato com a Orelha Cortada” (1888).
Em maio de 1989 ele mesmo pede ao irmão que o interne. Vai para o Hospital de Saint-Rémy e transforma seu quarto em um ateliê. Fez mais de duzentos novos quadros, centenas de desenhos, e todos revela sua luta. Theo é chamado, mas não pode visitar o irmão, pois sua mulher espera o primeiro filho. Pede a Signac, um amigo pintor, que vá visitá-lo. Signac sai impressionado com a pintora de Van Gogh que leva alguns amigos à casa de Theo para ver alguns quadros. O jornal Mercúrio de França faz elogios ao pintor. Uma exposição na Galeria de Bruxelas é organizada, mas só vende um quadro “A Vinha Vermelha”, o único que seria vendido durante a vida do pintor.
Van Gogh deixa Sant-Rémy em maio de 1890. Vai para Auvers, sob os cuidados do Dr. Gachet que o examina e diz que a situação é grave. Pinta mais de 200 desenhos e mais de 40 quadros, entre eles, “Os Ciprestes”, “Trigal com Corvos” e “Retrato do Dr. Gachet”. No dia 27 de julho de 1890 Van Gogh sai para o campo de trigo com um revolver na mão e no meio do campo dá um tiro no peito e é socorrido.
Van Gogh morreu em Alvers, França, em 29 de julho de 1890. No dia de sua morte, no sótão da Galeria Goupil, em Paris, 700 quadros amontoavam-se sem comprador. A fama só veio após sua morte. Grande parte de sua historia está descrita nas 750 cartas que escreveu para seu irmão Theo, e que evidenciava a forte ligação entre os dois.

Obras de Van Gogh

A Igreja em Nuenen, 1884
Os Comedores de Batata, 1885
A Casa Paroquial de Nuenen, 1885
Caveira com Cigarro Aceso, 1886
Guinguette de Montmartre, 1886
A Italiana, 1887
A Ponte Debaixo da Chuva, 1887
Natureza Morta com Absinto, 1887
Dois Girassóis Cortados, 1887
Auto-Retrato com Chapéu de Palha, 1887
Pai Tanguy, 1887-1888
Auto-Retrato Dedicado a Gauguin, 1888
Terraço do Café na Praça do Fórum, 1888
A Casa Amarela, 1888
Barcos de Saintes-Maries, 1888
O Velho Moinho, 1888
La Mousmé, 1888
A Vinha Vermelha, 1888
Os Girassóis, 1888
O Quarto de Van Gogh em Arles, 1889
Noite Estrelada, 1889
Auto-Retrato com Orelha Cortada, 1888
Oliveiras, 1889
Os Ciprestes, 1889
A Sesta, 1890
A Ronda dos Prisioneiros, 1890
Amendoeiras, 1890
A Igreja de Auvers, 1890
Trigal com Corvos, 1890
Retrato de Dr, Gachet, 1890

http://www.e-biografias.net/van_gogh/

Salvador Dalí - Biografia

Salvador Dalí foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. Os quadros de Dalí chamam a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, como nos sonhos, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres da Renascença e foi um artista com grande talento e imaginação. Era conhecido por fazer coisas extravagantes para chamar a atenção, o que por vezes incomodava os seus críticos.
Salvador Domenec Felip Jacint Dalí Domenech era filho de Salvador Dalí i Cusí (de remota origem árabe), de classe média e figura popular da cidade, e de Felipa Domenech, uma dona-de-casa católica. Iniciou sua educação artística na Escola de Desenho Municipal. Em 1916, durante férias de verão em Cadaquès, descobriu a pintura impressionista.
Sua primeira exposição pública foi no Teatro Municipal de Figueres, em 1919. Em 1921, sua mãe morreu e, passado um ano, o pai casou-se com Tieta, irmã de Felipa. Em 1922, Dalí foi viver em Madri, onde estudou na Academia de Artes de San Fernando. Nessa época, ele já chamava a atenção nas ruas como um excêntrico, usando cabelo comprido, longos casacos, um grande laço no pescoço, calças até o joelho e meias altas.
Nos quadros fazia experiências com o cubismo e o dadaísmo. Tornou-se amigo do poeta Federico García Lorca e do cineasta Luis Buñuel. Dalí foi expulso da Academia de Artes em 1926, depois de declarar que ninguém ali era suficientemente competente para avaliá-lo. Foi nesse mesmo ano que Dalí fez sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso. Nos anos seguintes, realizou uma série de trabalhos influenciados por Picasso eMiró, enquanto ia desenvolvendo seu estilo próprio.
O ano de 1929 foi importante para Dalí. Ele colaborou com Luis Buñuel no curta-metragem "Un Chien Andalou" e conheceu, em agosto, sua musa e futura mulher, Gala Éluard (Elena Ivanovna Diakonova, uma imigrante russa, na época casada com o poeta Paul Éluard).
Ainda em 1929, Dalí fez exposições importantes e juntou-se ao grupo surrealista no bairro parisiense de Montparnasse. Em 1934 Dalí e Gala, que já viviam juntos, casaram-se numa cerimônia civil.
Em 1939 os membros do grupo surrealista expulsaram Dalí por motivos políticos, já que o marxismo era a doutrina preferida no movimento e Dalí se declarava "anarco-monárquico". Dalí respondeu à sua expulsão declarando: "O surrealismo sou eu". Quando do início da Segunda Guerra, Dalí e Gala mudaram-se para os Estados Unidos, onde viveram durante oito anos. Em 1942, Dalí publicou sua autobiografia "A Vida Secreta de Salvador Dalí".
Na Catalunha Dalí viveu o resto da vida. Em 1960, o pintor começou a trabalhar no Teatro-Museu Gala Salvador Dalí, em Figueres. Foi o projeto de maior vulto de toda a sua carreira e seu principal foco até 1974.
Os últimos anos de vida com Gala foram turbulentos. Ela fazia com que Dalí tomasse antidepressivos e calmantes em altas doses, o que lhe danificaria o sistema nervoso. Gala morreu em 10 de junho de 1982. Dalí ficou profundamente deprimido, perdendo toda a vontade de viver.
Mudou-se de Figueres para um castelo em Pubol. Em 1984, deflagrou um incêndio no seu quarto, em circunstâncias pouco claras. Dalí foi salvo e levado para Figueres, onde um grupo de amigos assegurou que o pintor vivesse confortavelmente seus últimos anos no teatro-museu. Salvador Dalí morreu de pneumonia e falha cardíaca na cidade onde nasceu e foi sepultado no átrio principal de seu teatro-museu.
As duas maiores coleções de trabalhos de Dalí são o museu Salvador Dalí em Saint Petersbourg, na Flórida, Estados Unidos, e o Teatro-Museu Gala Salvador Dalí, em Figueres, na Catalunha, Espanha.
http://educacao.uol.com.br/biografias/salvador-dali.htm.

Antonin Artaud - biografia


Antonin Artaud nasceu em Marselha, no dia 4 de setembro de 1896, e faleceu em Paris, no dia 4 de março de 1948. Foi um poeta, ator, roteirista e diretor de teatro francês.

Em 1937, Antonin Artaud, devido a um incidente, é tido como louco. Internado em vários manicômios franceses, cujos tratamentos são hoje duvidosos, ele é transferido após seis anos para o hospital psiquiátrico de Rodez, onde permanece ainda três anos. Em Rodez, Artaud estabelece com o Dr. Ferdière, médico-responsável do manicômio, uma intensa correspondência. Uma relação ambígua se estabelece entre os dois: o médico reconhece o valor do poeta e o incentiva a retomar a atividade literária mas, julgando a poesia e o comportamento de seu paciente muito delirante, ele o submete a tratamentos de eletrochoque que prejudicam sua memória, seu corpo e seu pensamento.

Existe aqui um afrontamento entre dois mundos, o da medicina e razão social e o do poeta cuja razão ultrapassa a lógica normal do “homem saudável”.

As cartas escritas de Rodez são para Artaud um recurso para não perder sua lucidez. Elas revelam um homem em terrível estado de sofrimento, nos falando de sua dor através de uma escritura mais íntima e mais espontânea. São os diálogos de um desesperado com seu médico e através dele com toda a sociedade.

“Não quero que ninguém ignore meus gritos de dor e quero que eles sejam ouvidos”.

Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças.

Em 1935 Artaud conclui o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double), um dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo.

Em Rodez, além de suas cartas (lettres au docteur Ferdière) ele elabora uma prática vocal, apurada dia a dia, associada à manifestações mágicas. A voz bate, cava, espeta, treme, a palavra toma uma dimensão material, ela é gesto e ato.

Artaud volta a Paris em 1946, onde dois anos depois é encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de Ivry-sur-Seine. Neste período, além de uma importante produção literária ele desenha, prepara conferências e realiza a emissão radiofônica "Para acabar com o juízo de Deus" (Pour en finir avec le jugement de dieu), onde sua vontade expressiva se alia a um formalismo cuidadoso.
Se nos anos 30 o teatro para Artaud é “o lugar onde se refaz a vida”, depois de Rodez ele é essencialmente o lugar onde se refaz o corpo. O “corpo sem órgãos” é o nome deste corpo refeito e reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre para “dançar ao inverso”.

“A questão que se coloca é de permitir que o teatro reencontre sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e de mímica, linguagem de gritos e onomatopéias, linguagem sonora, onde todos os elementos objetivos se transformam em sinais, sejam visuais, sejam sonoros, mas que terão tanta importância intelectual e de significados sensíveis quanto a linguagem de palavras.”


O seu trabalho ainda inclui, ensaios e roteiros de cinema, pintura e literatura, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, ensaios sobre o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras), aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores. Artaud escreveu: "Não se trata de assassinar o público com preocupações cósmicas transcendentes. O fato de existirem chaves profundas do pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por isso. Mas de todo o modo é preciso que essas chaves estejam aí, e isso nos diz respeito" - em TEATRO E SEU DUPLO.

http://www.caleidoscopio.art.br/cultural/teatro/teatro-contemporaneo/antonin-artaud.html.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Vermeer e os impressionistas

       Os pintores do século XIX conviviam com as experiências das primeiras câmeras fotográficas. Dois séculos antes, Vermeer usava a câmera escura. Compreende-se assim a fascinação que o pintor barroco suscitou nos franceses do século XIX, partindo da Escola de Barbizon, passando pelos realistas, até chegar aos impressionistas ou pós-impressionistas, que tentam captar a atmosfera por meio da cor e traduzi-la em sensações. O truque de Vermeer, porém, séculos antes, consistia em utilizar a câmera escura, mas fora de foco, um aparelho inventado no século XVI, com lentes e espelhos que permitiam projetar na tela, com bastante exatidão, o tema a ser pintado. Ele usava a câmera escura e trabalhava sobre a imagem refletida, o que se caracterizava a ausência de algum esboço. Isso possibilitava “borrar” naturalmente a imagem, obtendo áreas nas quais a cor consistia em uma grande acumulação de pontos, semelhante ao pontilhismo. Ou seja, o holandês não pintava exatamente como ele via, mas sim como ele captava. A tela era a impressão, e não uma representação, e era isso o que outorgava essa impecável naturalismo à sua obra. Vermeer também não deixou de interessar precursores vanguardistas como Cézanne, que trabalhava especialmente com a transição de cor, algo que o holandês fazia de forma magistral. 

Transmissão Hereditária




A Rússia de Pedro


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Monja - Cruz e Sousa

Ó Lua, Lua triste, amargurada,
Fantasma de brancuras vaporosas,
A tua nívea luz ciliciada
Faz murchecer e congelar as rosas.

Nas floridas searas ondulosas,
Cuja folhagem brilha fosforeada,
Passam sombras angélicas, nivosas,
Lua, Monja da cela constelada.

Filtros dormentes dão aos lagos quietos,
Ao mar, ao campo, os sonhos mais secretos,
Que vão pelo ar, noctâmbulos, pairando...

Então, ó Monja branca dos espaços,
Parece que abres para mim os braços,
Fria, de joelhos, trémula, rezando...

Folclore




Você pode ver mais sobre o conceito de no seguinte site da Universidade de Campinas:
http://www.unicamp.br/folclore/Material/extra_conceito.pdf
Você pode ver as danças folclóricas brasileiras no seguinte site da Universidade de Campinas:
http://www.unicamp.br/folclore/Material/extra_dancas.pdf

Borboleta



O mapa do céu



Voltaire



A vida, o grande enigma




Batons Líquidos Negra Rosa