quinta-feira, 20 de julho de 2017

Porto Seguro – Bahia


            Porto Seguro, considerada Patrimônio Histórico Nacional desde 1976, é a segunda cidade turística mais visitada do nordeste. O lugar encanta com seu litoral recortado por falésias e mar morno, repleto de piscinas naturais coloridas pelos corais. O berço do Brasil conserva até hoje a sua história, cultura e natureza privilegiada e sabe oferecer ao turista, diversão e lazer, durante todo o dia e também no período da noite.
             A cidade mantém com zelo suas riquezas culturais, arquitetônicas e suas riquezas naturais, que lhe conferiram os títulos de Patrimônio Histórico Nacional e de Patrimônio Natural da Humanidade. 
            A animação contagia e chama a atenção de grupos de jovens – que procuram agito 24 horas por dia – e de pessoas que buscam paz e tranquilidade. O centro da cidade está sempre cheio, impulsionada por inúmeros pacotes turísticos oferecidos pelas agências locais e de outras partes do país.
            São muitas as opções de diversão: durante o dia pode-se optar por um roteiro histórico e cultural – conhecer a Cidade Histórica, com suas igrejas, casas e museus; quem preferir pode aproveitar as barracas de praias onde tem shows de dança; o turista também pode aproveitar os passeios de escunas que levam os visitantes até as piscinas naturais em recife de fora; outro passeio recomendado é o das baleias jubarte, uma viagem de escuna inesquecível, onde o turista pode desfrutar em alto mar da companhia das baleias que dão um ar de sonhos e fantasia, as baleias com os seus cantos e pulos impressionam a todos. Se você estiver disposto a fazer um percurso de 45 quilômetros, de carro ou de van, pode visitar um lugar maravilhoso, Trancoso. O distrito de Porto Seguro tem o clima de cidade do interior, mas que recebe pessoas famosas de várias partes do mundo. O quadrado é um lugar mais visitado do distrito, ali você pode comprar artesanatos locais e desfrutar do mirante, uma visão única do mar e da localidade de Trancoso.
            À noite, além da Passarela do Descobrimento, com restaurantes e feira de artesanatos; você também pode atravessar de balsa e dá um passeio na Rua Mucugê, em Arraial d’Ajuda. O lugar encanta por suas luzes e uma atmosfera todo especial. Lá você encontra excelentes bares, pinturas de artistas renomados ou de artistas locais e diversas casas de shows. Dá ainda pra aproveitar a diversidade cultural presente em Arraial, onde os visitantes podem conversar com pessoas de várias partes do mundo: alguns são moradores, outros turistas, que se apaixonaram pela cidade e mudaram para Arraial d’Ajuda.
            Se quiser dançar forró pé de serra, o lugar indicado é o distrito de Caraíva, é um local mais distante, mas que tem uma energia fantástica, lá não trafega carros, só carroças, o que dá um charme todo especial a essa localidade. Pra chegar a Caraíva, é preciso enfrentar três horas de viagem por estrada de rodagem com muita paisagem natural, ônibus não oferece todo o conforto, mas a beleza do roteiro da viagem faz você nem perceber. É uma viagem pra quem gosta de aventura. Entretanto, se você quiser uma viagem confortável, pode fretar as vans que contam com ar condicionado e muito conforto, uma viagem de van deve ficar entorno de 120 reais, mas é sempre bom pesquisar um pouco os preços. Estando em Caraíva, o turista tem que atravessar o rio Caraíva em canoas coloridas e deixar o carro do outro lado do rio, pra quem foi de carro próprio. Como falei, lá não entra carro.
            Os horários de ônibus pra Caraíva são dois: têm o primeiro às 7 da manhã e o último às 16 horas pra quem vai pernoitar no distrito. Durante a alta temporada a empresa de ônibus coloca um ônibus extra, que sai da Balsa do Arraial no horário de 11 horas.

                Mais fotos de Porto Seguro:





















Poema - Antônio Mendes Cardoso



Na espuma verde
do mar
desenharei o teu nome

Em cada areia
da praia
em cada pólen
da flor
em cada gota
do orvalho
o teu nome
deixarei gravado

No protesto calado
de cada homem ultrajado
em cada insulto
em cada folha caída
em cada boca faminta
hei de escrever
o teu nome

Nos seis férteis
das virgens
nos sorrisos perenes
das mães
nos dedos dos namorados
no embrião da semente
na luz irreal das estrelas
nos limites do tempo
hei de uma esperança semear.

Antônio Mendes Cardoso (Cabo Verde)
In No reino de Caliban. p. 261.

Recado ao Senhor 903 – Rubem Braga



Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclama contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explicito e, se não fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a lei e a polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a leste pelo 1005, a oeste pelo 1001, ao sul pelo oceano Atlântico, ao norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago sul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21,45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 horas às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando o número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhes desculpas – e prometo silêncio.
            … Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: ” Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho, e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
            E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

200 crônicas escolhidas. p. 178.

Cantiga de amigo – Juan Lopes



Enquanto Deus me der vida,
viverei triste e coitada,
porque se foi meu amigo,
e disso fui a culpada,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.
E sei que andei muito mal
em zangar-me como fiz,
porque ele não o merecia
e se foi muito infeliz,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.
Certamente ele supõe
que comigo está perdido,
do contrário, voltaria,
porém, sente-se ofendido,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.
Juan Lopes d’Ulhoa. Apud
 C. Berardinelli. Cantigas de
Trovadores medievais em
português moderno. p. 63.

1. O ‘eu” que fala nessa cantiga é masculino ou feminino?
2. Sabendo-se que “amigo” tinha o significado de namorado ou amante, explique o tema dessa cantiga.
3. Que função da linguagem predomina nesse texto?
4. Que versos compõem o refrão da cantiga?

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Homero – vida e obra


            Por volta do século XV a.C. a Grécia é ocupada pelo aqueus, povo indo-europeu. Com base em uma sociedade altamente estruturada e original, esse povo é responsável pelo surgimento de uma nova cultura que se expande pelo Mediterrâneo oriental. O centro irradiador dessa cultura é Micenas.
            Com a chegada dos jônios é fundada a cidade de Atenas, e a civilização creto-micênica atinge o apogeu, até que a região é invadida pelos dórios, também de origem indo-europeia, entre 1200 a.C. e 1100 a.C.
            A chegada desse povo guerreiro ao território grego contribuiu decisivamente para a decadência da ilha de Creta e o consequente desaparecimento por completo da antiga civilização micênica. Tem início então uma nova fase no desenvolvimento histórico das regiões situadas na bacia do mar Egeu.
            Os gregos da Antiguidade chamavam a si próprios de “helenos”, que incluíam todos aqueles que estavam unidos pela mesma cultura e religião e falavam grego, mesmo que usassem dialetos diferentes ou não vivessem na Grécia. Em oposição, eram chamados “bárbaros” os que não falavam grego.
            Até o século VIII a.C. as relações dos helenos entre si e com os bárbaros eram esporádicas e inexpressivas, embora as influências culturais do Oriente nunca deixasse de estar presentes. A adoção do alfabeto fenício, adaptado às exigências da língua grega, constituiu o resultado mais importante desse contato. Remontam à segunda metade do século VIII a.C. as mais antigas inscrições alfabéticas e, nessa época, aparecem documentos epigráficos, como listas de magistrados e de vencedores nos jogos olímpicos, que contribuem, desde então, para um conhecimento mais parecido do passado.
            O renascimento da técnica de escrita evidencia, antes de tudo, a intensidade do progresso cultural no Egeu helênico, e sua origem indica a importância do Oriente nas transformações sociais em curso. A influência oriental estimula o alargamento do horizonte geográfico e econômico dos gregos, que atinge o ponto máximo com a vasta colonização efetuada entre meados do século VIII e fins do VI a.C.
            Por volta de 750 a.C. o surgimento de algumas tendências no desenvolvimento das comunidades helênicas assinala uma nova fase de sua história. Do ponto de vista histórico, a época arcaica representa uma fase de intensa transformação em todos os níveis da sociedade. O termo “arcaico”, que os especialistas empregam para denomina-la, provém da periodização arqueológica, pois classifica inicialmente os trações peculiares da escultura, arquitetura, decoração, cerâmica etc., que aos poucos abandonaram a linha geométrica dominante na produção artística e prenunciam as formas do clássico. Três fenômenos sintetizam essa mutação: o movimento de renovação cultural processado sobre a influência do Oriente; o deslocamento de populações pela implementação de colônias em vasta área mediterrânea; e o processo que consolidou as estruturas clássicas da cidade-Estado em algumas regiões mais expostas às correntes do progresso. Numerosos relatos literários da fundação das colônias referem-se a rivalidades entre facções, banimentos, privação de direitos cívicos, como episódios que precederam a emigração. As tensões ocasionadas pela escassez do solo também figuram nessas histórias, que, apesar de construídas com dados lendários, são adequadas ao que se conhece do contexto social vigente na fase áurea do desenvolvimento. De fato, nas cidades da Grécia europeia que encabeçam o movimento, era muito rígido o domínio dos aristocratas.
            O aumento da população, a produção agrícola insuficiente e a miséria dos camponeses levem os gregos à procura de novas terras, aventurando-se pelos mares Egeu, Mediterrâneo e Negro, e fundando colônias costeiras ao longo desses mares, o que resulta na expansão do comércio marítimo e no desenvolvimento das cidades-Estados, ou seja, centros de poder que têm em comum a língua, a proximidade e a cultura.
            Dentre o material literário disponível para o conhecimento desse período, o mais antigo e rico é constituído pela Ilíada e pela Odisseia, dois dos maiores poemas épicos da Grécia antiga e que tiveram profunda influência sobre a literatura ocidental, que incorporaram episódios pertencentes a um dos ciclos lendários que os poetas talvez cantassem desde a época micênica. Tradicionalmente atribui-se a Homero a autoria dessas obras, mas ainda hoje é discutida não só a questão da autoria dessas epopeias com a data de sua composição. Estima-se que esteja situada nos marcos cronológicos fornecidos por uma importante expansão cultural efetivada em ambas as margens do Egeu.
            Com base em referências às condições sociais dessa época encontradas nos poemas de Homero, o historiador grego Heródoto (século V a.C.) situa o período de vida do poeta entre os séculos IX e VIII a.C., fixando a provável data de seu nascimento por volta de 850 a.C. em algum lugar da Jônia, antigo distrito grego da costa ocidental da Anatólia, que hoje constitui a parte asiática da Turquia. Entretanto, outras cidades gregas reivindicam a honra de ser o local do nascimento de Homero: Esmirna, Rodes, Quios, Argos, Ítaca, Pilos e Atenas.
            São poucas as informações concretas sobre a vida de Homero. Não há nem mesmo a comprovação de que ele tenha de fato existindo. São inúmeras as lendas e contradições, e todas essas dúvidas geraram a “questão homérica”, que até hoje não foi inteiramente esclarecida. Uma das fontes que defende se Homero natural da Esmirna ou de Quios diz que ele era pobre e de origem plebeia, e que percorrera o mundo conhecido em sua época anotando nomes, datas e características físicas, enquanto recebia hospedagem em troca de poesias. Ao retornar a Ítaca, após uma viagem à Espanha, teria contraído uma doença nos olhos que o teria levado a perder a visão. Supõe-se que fosse cego pela origem do seu nome em grego (aquele que não vê), embora existisse, também, em épocas remotas, a noção geral de que os poetas fossem cegos e que justamente essa falta de visão lhes possibilitava “ver” o que outras pessoas não viam, ou seja, a deficiência visual os tornava mais sensíveis à inspiração artística literária.
            Consta ainda das principais fontes a informação de que a morte de Homero teria ocorrido em uma das ilhas Cíclades. No entanto, as contradições e a escassa confiabilidade dos dados biográficos levaram alguns estudiosos a questionar sua existência.
            Alguns sugerem que Homero teria sido simplesmente um compilador, que reuniu vários poemas anônimos e pequenas canções populares até formar um todo homogêneo. Outra corrente supõe que “Homero” seja um nome coletivo e que a Ilíada e a Odisseia resultem do trabalho de dois ou mais poetas. Um primeiro teria concebido e composto um núcleo primordial que foi depois desenvolvido por outros. Essa questão tem gerado controvérsias, pois há duas opiniões contraditórias: enquanto alguns veem falta de unidade e variações de linguagem, estilo, ponto de vista e tema nas duas obras sinal de que não teriam sido escritas por um só poeta, há quem afirme que existe equilíbrio e homogeneidade na linguagem, no tom solene dos versos, no retrato dos ideais e valores da sociedade helênica na visão realista que engloba o fantástico e o real, o histórico e o imaginário. E há ainda a corrente que nega a existência do poeta, baseada na ausência de provas arqueológicas de que os gregos soubessem escrever na época em que Homero teria vivido, e que seria impossível compor poemas tão longos sem o conhecimento da escrita. Os achados arqueológicos indicam que a escrita foi introduzida na Grécia a partir de 750 a.C., e o mais antigo documento literário conhecido data do século IV a.C.
            Antes disso, a literatura era transmitida oralmente, e o povo grego conheceu os poemas de Homero ouvindo-os recitados em festivais ou lendo cópias manuscritas. O filósofo e escritor grego Aristarco de Samotrácia (século II a.C.) e outros filólogos da época Alexandrina encarregaram-se da tarefa de produzir a edição do texto das epopeias de Homero. Aos manuscritos em pergaminho oriundos desse trabalho acrescentaram-se anotações de diversos outros helenistas e eruditos bizantinos, ao longo de pelo menos mil anos.
            Os estudiosos que admitem a existência de Homero e que atribuem a ele a autoria das epopeias – entre eles, o pensador grego Aristóteles (século IV a.C.) – situam a composição da Ilíada na época da juventude do poeta, e a da Odisseia no final de sua vida, o que explicaria as diferenças de estilo e de linguagem apontadas por aqueles que negam a autoria comum das duas obras.
            Em dialeto jônico, o que confirmaria a hipótese de origem jônica de Homero, a Odisseia é uma exaltação do povo grego ao herói mortal Ulisses, conhecido também como Odisseu. A história tem início quando Menelau, rei de Esparta, e Agamêlon, rei de Atenas, convocam todos os reis e nobre da Grécia para ajuda-los a montar uma expedição contra Tróia. Diante da convocação Ulisses finge estar louco. Descoberta a farsa, só lhe resta partir para a guerra. Após a tomada de Tróia, tem início a viagem de Ulisses, cheia de peripécias e aventuras, de volta a Ítaca, sua terra natal.
            Os poemas homéricos desfrutaram imensa popularidade na Antiguidade. Cópias desses poemas transformaram-se em compêndios básicos que as crianças gregas usavam para aprender a ler e para estudar as lendas e os mitos da Grécia antiga. Platão (séculos. V-IV a.C.) chega mesmo a referir-se ao poeta como “o educador da Grécia”. Os gregos formaram seus pontos de vista religiosos a partir dos retratos dos deuses feitos por Homero em seus poemas. As epopeias também foram tomadas como padrão ético e estético e constituíram um exemplo incontestado para todos os poetas épicos gregos ou latinos, além de fornecer personagens e enredo para os grandes dramaturgos do século V a.C.  
            Além dos clássicos Ilíada e Odisseia, atribui-se também a Homero a autoria de uma coleção de 34 hinos – os Hinos Homéricos -, do poema Margites e da paródia épica Batracomaquia. Entretanto, a ausência de comprovação também gerou opiniões divergentes quanto à autoria dessas obras.
            As obras de Homero refletem vividamente e antiguidade mais remota da civilização grega. Desde o século XVI ocupam um lugar preponderante na cultura literária clássica europeia, e sua originalidade, riqueza e colorido influenciaram inúmeros poetas e artistas do Ocidente. As situações descritas e narradas por Homero tornaram-se simbólicas de toda a aventura humana sobre a Terra, e seu nome chega a confundir-se com a própria poesia.

Batons Líquidos Negra Rosa