Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2017

Conversa de Botequim

Lar desfeito

Luis Fernando Veríssimo 

Minha musa (Álvares de Azevedo)

1.
Minha musa é a lembrança Dos sonhos em que eu vivi, É de uns lábios a esperança E a saudade que eu nutri! É a crença que alentei, As luas belas que amei E os olhos por quem morri!
2.
Os meus cantos de saudade São amores que eu chorei, São lírios da mocidade Que murcham porque te amei! As minhas notas ardentes São as lágrimas dementes Que em teu seio derramei!
3.
Do meu outono os desfolhos, Os astros do teu verão, A languidez de teus olhos Inspiram minha canção... Sou poeta porque és bela, Tenho em teus olhos, donzela, A musa do coração!
4.
Se na lira voluptuosa Entre as fibras que estalei Um dia atei uma rosa Cujo aroma respirei... Foi nas noites de ventura, Quando em tua formosura Meus lábios embriaguei!
5.
E se tu queres, donzela, Sentir minh'alma vibrar,

LIRA XIX

Tomás Antônio Gonzaga (1792)
Enquanto pasta, alegre, o manso gado, Minha bela Marília, nos sentemos à sombra deste cedro levantado. Um pouco meditemos na regular beleza, que em tudo quanto vive nos descobre a sábia Natureza.
Atende, como aquela vaca preta o novilhinho seu dos mais separa, e o lambe, enquanto chupa a lisa teta. Atende mais, ó cara, como a ruiva cadela suporta que lhe morda o filho o corpo, e salte em cima dela.
Repara como, cheia de ternura, entre as asas ao filho essa ave aquenta, como aquela esgravata a terra dura, e os seus assim sustenta; como se encoleriza, e salta sem receio a todo o vulto, que junto deles pisa.
Que gosto não terá a esposa amante, quando der ao filhinho o peito brando e refletir então no seu semblante! Quando, Marília, quando disser consigo: “É esta de teu querido pai a mesma barba, a mesma boca e testa.”[...]
Que prazer não terão os pais, ao verem com as mães um dos filhos abraçados; jogar outros a luta, outros correrem nos cordeiros montados! Que…

De Mais Ninguém

Marisa Monte Compositor: Marisa Monte/Arnaldo Antunes

Se ela me deixou, a dor É minha só, não é de mais ninguém. Aos outros eu devolvo a dó, Eu tenho a minha dor. Se ela preferiu ficar sozinha, Ou já tem um outro bem. Se ela me deixou a dor é minha, A dor é de quem tem. É meu troféu, é o que restou, É o que me aquece sem me dar calor Se eu não tenho o meu amor, Eu tenho a minha dor. A sala, o quarto, a casa está vazia, A cozinha, o corredor. Se nos meus braços ela não se aninha, A dor é minha, a dor. É o meu lençol, é o cobertor, É o que me aquece sem me dar calor. Se eu não tenho o meu amor, Eu tenho a minha dor [...]
MONTE, Marisa. Verde anil amarelo cor de rosa e carvão. Marisa Monte. Rio de Janeiro: Monte Criação e Produção Ltda.
1. Assinale a alternativa em que a característica apresentada não pode ser observada no texto.
a) Sentimentalismo b) Subjetivismo c) Evasão na natureza d) Pessimismo
2. Nas alternativas a seguir, traduziu-se adequadamente a ideia expressa pelos versos, exceto em
a) “Aos outros eu dev…