domingo, 30 de setembro de 2012

Figuras à Margem da Sociedade Ganham o Centro das Telas

Toulouse-Lautrec era apaixonado pelo que se pode chamar “mundo marginal” parisiense do final do século XIX. Como musas, Lautrec elegeu personagens anônimos, principalmente mulheres. Garçonetes, dançarinas, de cancã, prostitutas e lésbicas foram sua principal fonte de inspiração para criar envolventes personagens erotizadas que, no entanto, também o levaram à decadência. Rosa La Rouge, sua modelo predileta, lhe transmitiu a sífilis, doença que, aliada ao alcoolismo, foi responsável pela morte precoce do pintor, aos 36 anos de idade.
            Apesar do nanismo e do aspecto pouco atraente de seu corpo de homem sobre pernas de garoto, Toulouse-Lautrec seduzia as mulheres pelo bolso, mantido cheio pela nobre família de Albi, sul da França. Nos momentos de depressão, o artista refugiava-se nos bordéis e relacionava-se cm artistas como La Goulue, a dançarina mais famosa do Moulin Rouge, Jane Avril, Yvette Guilbert, Grille d’Égout e Raynon d’Or, todas suas madonas, retratas em pôsteres e quadros. Outra figura feminina de destaque foi sua mãe, a condessa Adèle, com quem o artista se correspondia frequentemente e costumava visitar nas férias.
            Lautrec tinha mesa cativa no Moulin Rouge, aonde ia com um bloquinho para anotar todas as atitudes e gestos das dançarinas e prostitutas, com quem dividia a solidão e miséria moral. Considerava-as prisioneiras de um luxo artificial e, por isso, insistia em pintá-las vestidas, enquanto aguardavam os clientes em divãs, ou no momento do abandono, esgotadas pela noite, soltando ligas e desatando espartilhos. De personalidade conturbada e provocadora, Lautrec vangloriava-se em público de suas conquistas amorosas. Foi o italiano Zandomeneghi, que trabalhava com Pierre-Auguste Renoir, em Paris, quem apresentou Marie Valadon a Lautrec. Marie foi a célebre modelo da tela Acrobata Equestre (1884), que mudou o nome para Suzanne a pedido do artista. Suzanne Valadon tornou-se amante de Lautrec e modelo de várias obras do artista, como La Buveuse, admirada por Van Gogh.   
            Seu pai, envergonhado com suas atitudes, chegou a pedir-lhe que não usasse mais o sobrenome da família, fato que o levou a criar anagramas como Tréclau ou TREclau. Lautrec, aliás, herdou a excentricidade do pai, que costumava caçar vestido de cossaco e oferecer água-benta aos falcões de estimação, para que não fossem privados da religião professada pela família. Não raro, o artista pintava vestido de trajes orientais. Na bengala que sustentava o corpo ocultava engenhosamente uísque ou conhaque e um pequeno copo. Apesar do estilo de vida dissoluto, Lautrec era um artesão dedicado – chegava cedo ao ateliê mesmo depois de passar a noite toda bebendo, na farra com mulheres. Para o artista francês, o mundo marginal era o combustível de sua obra – inigualável. 

“À mesma D. Ângela”

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, Que me tenta, e não me guarda.


MATOS, Gregório de. In: Poemas escolhidos. Seleção, introdução e notas de José Miguel Wisnik. São Paulo: Cultrix, 1976.

Um da família


Exploração

1. Quanto e quais são os animais que aparecem representados na tela?
2. Observe como o artista pintou partes mais ou menos iluminadas, isto é, há mais ou menos luz e sombra em lugares distintos da obra. Qual a personagem que está mais na sombra?
3. Qual das crianças, em sua opinião, gosta mais do cavalo? Por quê?
4. Liste os elementos que comprovam que a cena representada é de uma época mais antiga?
5. Como você acha que a família reagiu quando o cavalo apareceu na janela? Justifique.
6. Por que você acha que a obra recebeu o nome de Um da família?


Resolução:
1. Há dois animais na tela: o cão e o cavalo.
2. Pode-se localizar, no fundo, à direita, um homem.
3. Resposta livre. Aqui, o importante é permitir a participação dos alunos. Verificar como observam a tela, suas opiniões e questionar suas respostas. Nota-se que a criança da esquerda está oferendo comida ao animal, o que poderia ser indício de uma atenção maior ao cavalo.
4. A época pode ser percebida a partir das peças do vestuário e penteados das personagens, bem como por meio dos detalhes da casa.
5. Resposta livre. Espera-se, no entanto, que os alunos mencionem a naturalidade com que a família reage à presença do cavalo.
6. Resposta livre. O fato de o cavalo estar se alimentando junto com a família pode levar à explicação do título da tela.

sábado, 29 de setembro de 2012

O que é Semiótica?

Semi-ótica — ótica pela metade? ou Simiótica — estudo dos símios?

 Essas são, via de regra, as primeiras traduções, a nível de brincadeira, que sempre surgem na abordagem da Semiótica. Aí, a gente tenta ser sério e diz: — "O nome Semiótica vem da raiz grega semeion, que quer dizer signo. Semiótica é a ciência dos signos.". Contudo, pensando esclarecer, confundimos mais as coisas, pois nosso interlocutor, com olhar de surpresa, compreende que se está querendo apenas dar um novo nome para a Astrologia.

Confusão instalada, tentamos desenredar, dizendo: — "Não são os signos do zodíaco, mas signo, linguagem. A Semiótica é a ciência geral de todas as linguagens". Mas, assim, ao invés de melhorar, as coisas só pioram, pois que, então, o interlocutor, desta vez com olhar de cumplicidade — segredo desvendado —, replica: — "Ah! Agora compreendi. Não se estuda só o português, mas todas as línguas".

Nesse momento, nós nos damos conta desse primordial, enorme equívoco que, de saída, já ronda a Semiótica: a confusão entre língua e linguagem. E para deslindá-la, sabemos que temos de começar as coisas de seus começos, agarrá-las pela raiz, caso contrário, tornamo-nos presas de uma rede em cuja tessitura não nos enredamos e, por não nos termos enredado, não saberemos lê-la, traduzi-la.

Leia o texto completo (livro) em:
http://hrenatoh.net/curso/textos/oqueesemiotica.pdf

Entrevista com Mário Perini

Língua, Linguagem e Linguística

Entrevistadores – O que é língua?

Perini – Chamamos “língua” um sistema programado em nosso cérebro que, essencialmente, estabelece uma relação entre os esquemas mentais que formam nossa compreensão do mundo e um código que os representa de maneira perceptível aos sentidos. Os seres humanos utilizam um grande número de tais sistemas (“línguas”), que diferem em muitos aspectos e também se assemelham em muitos outros aspectos. Tanto as diferenças quanto as semelhanças são altamente interessantes para o linguista.

O sistema em questão é de uma complexidade extrema: compreende regras (de pronúncia, de formação de palavras, de formação de frases, de relacionamento das formas com os significados), itens léxicos (palavras e morfemas, com suas propriedades gramaticais e seus significados), expressões idiomáticas (como pisar na bola ou mãe de santo) e clichês (como ficar sem fala e tomar café). Acredita-se hoje que o sistema é em parte inato, pois todas as línguas parecem seguir determinadas linhas, ou seja, não encontramos tudo o que seria possível, mas apenas algumas das possibilidades. A hipótese é que as línguas só se desenvolvem seguindo certas direções por que de outra forma não seriam utilizáveis por cérebros humanos. E parte do sistema, evidentemente, não é inato, e precisa ser aprendido a partir de exemplos observados pela criança.

O que chamamos uma “língua” é, assim, uma das realizações históricas da capacidade humana para a linguagem. E cada língua é profundamente enraizada na cultura que serve – por exemplo, não creio que em tibetano ou em amárico haja expressões exatamente paralelas a pisar na bola ou mãe de santo. Já houve (não sei se ainda há) quem sustentasse que a língua que uma pessoa fala condiciona sua maneira de ver o mundo (a chamada “hipótese de Sapir-Whorf”). Suspeito que há um grão de verdade nessa hipótese, mas do modo como é geralmente enunciada ela exagera a importância da língua nos nossos processos cognitivos.

Entrevistadores – Qual a relação entre língua, linguagem e sociedade?

Perini – Posso começar dizendo que a relação entre língua e linguagem é que uma “língua” é uma das maneiras como se manifesta exteriormente a capacidade humana a que chamamos “linguagem”. Mas o termo linguagem é também aplicado a outros tipos de sistemas de comunicação, que normalmente não são chamados línguas, como o sistema de sinais de trânsito e a linguagem das abelhas. Assim, linguagem é um conceito muito mais amplo do que língua: a linguagem inclui as línguas entre suas manifestações, mas não apenas as línguas.

Agora, dito isso, podemos afirmar que as relações entre a linguagem (em geral sob a forma das línguas) e a sociedade humana são muitas e muito importantes. Primeiro, observemos que qualquer sociedade minimamente complexa só pode funcionar, e mesmo surgir, através do uso intensivo da linguagem. A sociedade funciona através da cooperação e/ou conflito entre os homens, e a linguagem medeia esses processos de maneira crucial.

A língua falada por um povo é parte da imagem que esse povo tem de si mesmo, em certos casos ainda mais significativa do que as unidades políticas em que o povo seorganiza. Assim, embora a Alemanha e a Itália só se tenham unificado como nações nos meados do século XIX, havia muitos séculos já que os falantes das respectivas línguas se consideravam “alemães” e “italianos”. Pode-se mencionar também fatos atuais como a atitude dos catalães e dos bascos, que insistem em ser diferentes dos demais espanhóis, em grande parte por falarem outra língua. Vemos aí uma tendência a fazer coincidir as fronteiras linguísticas com as fronteiras nacionais. Isso nem sempre acontece, como se pode ver pela persistência das fronteiras entre os países hispano-americanos, mas mesmo assim um mexicano se sente culturalmente mais próximo de um espanhol ou de um uruguaio do que de seus vizinhos americanos falantes de inglês. A língua é, sintomaticamente, um dos instrumentos mais importantes na mão de governantes que, para bem ou para mal, procuram enfatizar a unidade de um povo ou de uma nação.

Leia a entrevista completa em:
http://www.pessoal.utfpr.edu.br/paulo/revel_14_entrevista_perini.pdf

Juízo Final (1536-1541)


Michelangelo Buonarroti (Itália, 1475-1564)
Pintura em afresco – 1.700 cm x 1.330 cm

Capela Sistina – Vaticano, Roma

Após enfrentar muitas dificuldades durante quatro longos anos dedicados à pintura do teto da Capela Sistina, entre 1508 e 1512, Michelangelo volta em 1536 para realizar outra grande obra na parede do altar, Juízo Final, termina apenas 1541. Inspirado no poema Inferno de Dante Alighieri, de quem o artista era especial admirador, e no hino latino Dies Irae (“Dia de Ira”), Michelangelo mostra, por meio de enormes figuras humanas, misturadas de forma sufocante, a realidade da morte e do medo. No centro desse amontoado de corpos encontra-se um Cristo jovem e atlético, tendo a lado a Virgem, que evita olhar ao redor para não presenciar a execução dos castigos. O artista revelou, ainda, toda a sua dedicação, esmero e persistência durante seu árduo trabalho, não se dando como vencido nem mesmo pelo fato de ter sofrido perigosa queda dos andaimes. Tao logo o afresco foi inaugurado, porém, surgiram impiedosas críticas contra o exagero de nus, considerados obscenos para a época, uma vez que a igreja se empenhava em restabelecer o moralismo religioso. O trabalho esteve a ponto de ser destruído não fossem as providências tomadas pelo pintor Daniel de Volterra, que cobriu a maior parte dos nus. 

Salvador Dalí

Salvador Dalí, como pintor, bebeu conscientemente das fontes mais clássicas - ou seja, das mais sólidas e seguras do saber pictórico ocidental. Aprendeu dos grandes mestres da pintura da época moderna, aqueles que basearam seu saber na perfeição do ofício,  no conhecimento e no acerto da representação do espaço, na precisão do detalhe, na correta modulação da luz e no efeito do virtuosismo, às vezes episódico, às vezes necessário.



Rosto e Fruta

Busto de Voltaire

Ascensão de Cristo

Persistência da Memória
Cisnes refletindo elefantes



Imagens da Semana














Batons Líquidos Negra Rosa