domingo, 16 de agosto de 2009

Acordo ortográfico - Arilton Bronze





A quem faz bem?

Ao superaquecimento.
Ao jumento.
Alento.
Amém!!!!

Ao homem humano, subumano, mano, você...

Ao homem bilíngue
Eloquente
Quente
Elegante
Frequente
Potente...

Ao homem tranquilo:
Müller o mülleriano,
O mulherengo shakesperiano....

Ao homem que apoia a epopeia, que estreia Camões.
Ao homem heroico
Playboy da odisseia.
A paranóia, a jiboia, que engoliu a joia de alguém...

Ao homem da feiura, da loucura que mata no playground.

Ao homem do acento, avarento...
Que comeu tuiuiús no Piauí.
Cuidado playboy, olha o IBAMA aí.

Ao homem em seu assento e os acentos
Querendo te confundir, arguir...
O que fazer?
Ó deuses dos acentos!
Deem alentos ao homem infringidor.
Deem voos,
Enjoos,
Perdão...

Ó deuses dos polos! Rogo-te!
Bênçãos ao urso de pelos brancos.
O branco de alguém.

Ao homem forte...
Do norte, será que ele para o trem? Talvez!
Talvez ele coma a pera de alguém.
Esses homens do norte têm coragem.
Por isso, alguns mantêm e detêm o poder...

Ao homem.
Ao super-homem, sobre-humano, subumano, ultra-humano...
O romano de ninguém.

Ao homem que onteontem, amou não se sabe quem.
Ao homem estudado, letrado, talvez opaco. Semiopaco, semianalfabeto
Vai pôr o acento correto por mim.
Ao homem, ao herói que recebeu o troféu... Parabéns!

A quem faz bem?
Ao homem heroico,
Ao semideus concebido da traição.
Ao homem ultramoderno...
Vice-rei, rei, imperador quer ser!

O homem real, surreal, neorreal,
Ultrarresistente...
Sorridente, porreta.

Ao homem mudando, mudou o cosseno plurianual.
Ao homem moderno, pseudoprofessor, antissocial, fatal
Ele quer contra-atacar.

Ao homem
Ultramoderno
Anti-imperialista
Anti-inflacionário
Simplesmente hiper-requintado
Soldado do bem.

Ao homem
Romântico
Super-romântico
Autêntico
Nojento
Além...

O homem ultramoderno
Supereconômico
Anajá-mirim
Termino
Assim
O meu pasquim
Super-requintado
Moderno.


Arilton Bronze

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Matriz Nossa Senhora da Conceição




Matriz Nossa Senhora da Conceição

Construída no início do século XIX, no local da antiga igreja da Vila de Santa Cruz. Teve como modelo a igreja de Palmas de Salvador.

Sua torre cônica, acrescida posteriormente, é uma raridade na arquitetura colonial.
O culto a Nossa Senha da Conceição foi oficializado no reinado de Portugal em 1640. No Brasil se tornou uma devoção muito popular, havendo várias cidades, igrejas e altares dedicados a ela.
Foi a padroeira do país durante a Colônia e o Império, cedendo o lugar, na República para Nossa Senhora Aparecida.


Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Porto Seguro - Bahia

Receita de texto narrativo


Peladas - Armando Nogueira


            Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é  um  par  de  velhos  que  troca  silêncios  num  banco sem encosto.
            E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: “eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha.
            Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro joga sem camisa. Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música. Se estiver no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quica com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Zico ou nas mãos de um gandula.
            Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio fio, pára de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho.
            Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres:  “Copa  Rio  Oficial”, “FIFAEspecial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!) jamais seria barrada em recepção do Itamarati.
            No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam- lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha.
            Racha é assim mesmo: te bico mas  tem  também  sem-pulo  de  craque  como  aquele  do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura.
            Nova saída.
            Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo.  Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
            O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar.
            Em cada gomo o coração de uma criança.

(Armando Nogueira. O melhor da crônica brasileira, 1. -Rio de Janeiro, José Olympio, 1980.)

Ruina desconhecida - Cidade Histórica de Cabrália







Ruína Desconhecida

Ruína de construção inacabada com elementos arquitetônicos do século XVIII.
Não há registro de sua possível finalidade e as pesquisas arqueológicas realizadas, até o momento, não puderam identificar qualquer elemento que evidenciasse a que serviria tal edificação.
Conforme pode ser comprovado em gravura produzida pelo Príncipe Maximiliano Wied-Neuwied, a ruína era observada no século XIX, quando de sua passagem pela região em 1815/1816, numa das expedições científicas que em muito contribuiu para o levantamento histórico da região.
No relato dessa viagem é claro o seu encanto pelo colorido das paisagens e pelas observações sempre surpreendentes, sendo um dos mais minuciosos levantamentos científicos do nosso patrimônio natural, e neste caso em especial, do nosso patrimônio arquitetônico.


Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de Porto Seguro - Bahia

Batons Líquidos Negra Rosa