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Mostrando postagens com o rótulo Monteiro Lobato

Um homem de consciência

         Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.          Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos queriam: mudar-se para terra melhor.           Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o desaparecimento visível de sua Itaoca.          – Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons – agora só um, e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca est...

Olavo Bilac, Monteiro Lobato e Ana Maria Machado: três discurso sobre a literatura infantil e Juvenil?

Fernando Teixeira Luiz (UNESP) Introdução O presente estudo, centrado na análise documental, ocupa-se em problematizar tópicos específicos da literatura infantil e juvenil com base na apreciação crítica de três escritores emblemáticos nacionais: Olavo Bilac, Monteiro Lobato e Ana Maria Machado. Em outras palavras, a pesquisa objetiva verificar como os citados ficcionistas, movidos por determinadas convicções e imersos em distintos contextos, definem, descrevem e discutem o gênero infanto-juvenil. Para tanto, tal investigação científica optou por seguir um caminho ainda não muito explorado na tradição de pesquisas consolidadas nesse campo: recupera, examina e polemiza, com base na crítica literária contemporânea, os conceitos “teóricos” dos anunciados autores, dispersos ora em produções de caráter epistolar (como no caso de Lobato), ora em prefácios e ensaios (como acontece, respectivamente, com Bilac e Machado). Os resultados obtidos apontam para o diálogo que os escr...

O cavalo e o burro - Monteiro Lobato

             O cavalo e o burro seguiam juntos para a cidade.   O cavalo contente da vida, folgando com uma carga de quatro arrobas apenas, e o burro — coitado!   gemendo sob o peso de oito.   Em certo ponto, o burro parou e disse:             — Não posso mais!   Esta carga excede às minhas forças e o remédio é repartirmos o peso irmãmente, seis arrobas para cada um.             O cavalo deu um pinote e relinchou uma gargalhada.             — Ingênuo!   Quer então que eu arque com seis arrobas quando posso tão bem continuar com as quatro?   Tenho cara de tolo?             O burro gemeu:             — Egoísta!   Lembre-se que se eu mor...