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Da difícil arte de redigir um telegrama

               [...] Há uma história famosa a respeito de uns parentes que tinham que comunicar, por telegrama, a uma senhora que estava viajando, o falecimento de uma irmã. Reuniram-se em volta de uma mesa e “toca” a escrever. Primeiro foi o primo quem redigiu a nota. Depois de alguns minutos mostrou o resultado do seu trabalho: “ interrompa viagem e volte correndo . tua irmã morreu”. Todos leram e um dos tios fez o seguinte comentário:             - Eu acho que não está bom. Afinal de contas, vocês sabem que ela é cardíaca, está viajando e um telegrama assim pode ser um choque. - Todos concordaram, inclusive um outro primo afastado que era meio sovina e achou o telegrama muito longo:             - Depois, com o preço que se paga por palavra, isso não é mais um telegrama, é um telegrana.        ...

No Botequim – Jô Soares

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Freguês — Garçom, por favor. Eu quero um café com leite com uma rosquinha. Garçom — O senhor vai me desculpar, mas não tem mais rosquinha. Freguês — Ah? Não faz mal. Então me dá só um cafezinho simples. Isso. Só um cafezinho. Com uma rosquinha. Garçom — Eu acho que não me expliquei direito. Eu falei pro senhor que não tem mais rosquinha. Acabou toda a rosquinha, Freguês — Ah, bom. Se é assim, muda tudo. Então me traz um copo de leite. Leite tem? Beleza. Me traz um copo de leite. Com uma rosquinha. Garçom — Eu disse que não tem mais rosquinha! Torrada tem, rosquinha não tem! Há três anos que não tem rosquinha! Freguês — O senhor também não precisa ficar nervoso. Não tem, não tem. Eu peço outra coisa. Qualquer coisa. Eu não sou difícil de comer. Eu tomo o que o senhor quiser. Chocolate, chá. Sei lá. Chá o senhor tem? Então taí. Traz um chazinho. Com uma rosquinha. Garçom — Eu já disse que eu não tenho rosquinha! Faz o seguinte. Vai em outro boteco. Não me enlouquece....

Ser pai - Soneto

Ser pai Ser pai é sustentar filhos e filhas, Pagar colégios, roupas e condução, Tratar também da mãe das maravilhosas, Ter paciência e ter compreensão. É conservar o riso com que brilhas Se um dos meninos pega o teu carrão, Ataca de piloto das mil milhas E estoura o carro numa contramão. É não pensar, em noites de vigílias Se é frequentada a boate onde eles vão, Por meninos “maus” de boas famílias E boas meninas mas “famílias”, não. É, enfim, sentir a vida começar De novo neles, como um resumo Do que fizestes antes de casar. Ou, então, se acaso tomam outro rumo, É ter em casa um Punk a te acusar De “PAI DA SOCIEDADE DE CONSUMO”. Jô Soares