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O Olhar que Mata

            Na cidade de Argos, há uma torre de bronze com janelas que têm grossas barras. Nessa sombria prisão, Dânae, filha do rei Acrísio, chora amargamente. É que seu pai, temendo ser morto pelo filho que um dia ela poderia vir a ter, resolve prendê-la ali por toda a vida. Aprisionado a filha longe de qualquer contato humano, o rei espera evitar esse destino, profetizado por um oráculo.             No entanto, certa noite uma chuva de ouro começa a cair, gota a gota, por entre as grades das janelas. É Zeus, que, transformado dessa forma, penetra no quarto da princesa. Está apaixonado por ela, e nada conseguiria deter o rei dos deuses. Nem mesmo paredes de bronze.             Alguns meses depois, Dânae dá a luz um filho, Perseu. Ao saber disso, Acrísio fica enlouquecido de raiva, mas não mata filha e neto. Prefer...

O calcanhar de Aquiles

              Ao cair da noite, após um dia de rudes combates, Agamenon, o rei dos reis, assiste ao regresso de suas tropas. Os homens ainda capazes amparam os camaradas feridos. Outros trazem de volta corpos de soldados mortos em Tróia. Fadiga, amargura, tristeza é o que se lê em todos os rostos. O cerco da cidade já dura anos, e os gregos não fazem nenhum progresso. A poderosa e altiva cidadela que guarda a bela Helena continua intacta.             Dia após dia, gregos e troianos enfrentam-se em rudes combates, nos quais os melhores aqueus acabam morrendo sem ao menos conseguir se aproximar das muralhas da cidade de Príamo. Ninguém duvida dos motivos desse fracasso permanente. Se não chegam a tomar Tróia, é porque os impede um dos filhos de Príamo, o temível Heitor, que tem força sobre-humana e coragem indomável. Apenas Aquiles seria capaz de derrotar Heitor. ...

O Minotauro

Eu vou meu pai. Só eu posso dar fim a esse horror! Chama-se Teseu o moço forte que acaba de dizer essas palavras resolutas a Egeu, o velho rei de Atenas. O rei está triste. E com razão. Chegou o momento em que, como todos os anos, deve enviar a Creta sete rapazes e sete moças para servirem de comida ao Minotauro. Alguns anos atrás, Minos, rei dos cretenses, venceu uma guerra contra Atenas, e desde então, todo ano, catorze adolescentes atenienses partem para Creta num navio de vela negra, que sempre volta vazio. O Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo de homem, devora-os em seu covil, o Labirinto. Cansado dessas mortes inúteis, Teseu resolve tomar o lugar de uma das vítimas e, se puder, matar a terrível criatura. Egeu acaba cedendo: - Então, vá. Mas se você voltar são e salvo, troque a vela negra do navio por uma branca. Assim, vendo o barco, eu já de longe fico sabendo que você está vivo. Teseu promete obedecer ao pai e embarca para Creta. Minos, em seu sunt...

A vida, o grande enigma

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