quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Caraíva

Cercada por fortes símbolos ligados aos momentos iniciais do Descobrimento, Caraíva é banhada pelo Oceano Atlântico e pelo rio que lhe dá o nome, o antigo Rio Cramimuan, identificado com diversos nomes e grafias. 

Antigo vilarejo indígena de Cramimoã, tinha suas características preservadas ainda em 1816, quando aí esteve a expedição naturalista do príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied. A vila fica na foz do Rio Caraíva, distante da civilização moderna, tendo como limites o mar, o rio e o Parque Nacional de Monte Pascoal. 

A energia é solar ou de gerador e o único meio de transporte é o marítimo/fluvial. Não há rede elétrica, nem automóveis. Suas ruas estreitas e cobertas de areia dão o tom da rusticidade local. Os nativos vivem da pesca e do turismo, oferecem hospitalidade e serviços. Os mais velhos têm histórias interessantes para contar, fazem festas tradicionais, como a de São Sebastião (padroeiro local) e dominam a sabedoria popular sobre plantas, ervas e marés. 

Paraíso de paz e tranquilidade, envolta pela rica diversidade de belezas naturais, Caraíva oferece uma boa infraestrutura, com pousadas aconchegantes e toda a privacidade para quem busca sossego ao sol da Costa do Descobrimento. 

http://bahia.com.br/cidades/caraiva/?submit=ir. Acesso em 22 de jan. 2015.










Foto: Arilton Bronze
Telefone: 81787693

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Pão do Diabo

            Espalhou-se no bairro a notícia de que Ludovico, ao partir o pão quando jantava, teria exclamado:
-Este é realmente o pão que o diabo amassou.
O padeiro Romualdo sentiu-se ofendido em sua honra profissional e foi pedir satisfação. Ludovico não só confirmou o que dissera, como aduziu:
- É também o diabo que fabrica a sua farinha, Romualdo. Fique alerta e verá.
O padeiro não dormiu aquela noite. De madrugada, pé antepé, entrou na padaria e surpreendeu um estranho ser que retirava os pães do forno, fazendo-os desaparecer e substituindo-os por outros que eram amassados na hora, feitos de uma farinha especial, com vago cheiro de enxofre.
Petrificado de espanto, Romualdo nada pôde fazer. Mesmo porque logo em seguida caiu duro no chão, onde foi encontrado ao amanhecer, e pouco a pouco recuperou a consciência.
Seu primeiro gesto foi pedir um pão e cheirá-lo. Cheirava natural, mas o padeiro não ousou prová-lo. Fechou o estabelecimento e sumiu no mundo.
Ludovico arrematou as instalações e passou a ser o padeiro do bairro, sem problemas.
 (Carlos Drummond de Andrade)


1)  O que Ludovico teria dito no momento em que partiu o pão durante o jantar?
2)  O padeiro não gostou de saber o que Ludovico havia dito.
A) Como se chamava o padeiro?
B) Que atitude ele tomou?
3.  Responda.
a) Ludovico, diante da reação do padeiro, confirmou ou negou o que já havia dito?
b) O que mais ele disse ao padeiro a respeito da farinha?
c) Que conselho deu ao padeiro?
4. Naquela noite, o pedreiro não dormiu.

a) Aonde o padeiro foi de madrugada?
b) O que havia de estranho lá?
5. Ao ver a cena, o pedreiro desmaiou. Na manhã seguinte, ele pegou um pão e           cheirou-o.
a) Que cheiro tinha o pão?
b) Por que, então, o padeiro não teria tido coragem de comê-lo?
6)  Depois disso, o que o padeiro fez? E Ludovico?
7) Pelo desfecho - a maneira como o texto termina - é possível tirar duas conclusões:
a) Quem era, nessa história, o “Diabo”?
b) Com que objetivo ele teria dito o que disse no início do texto?
8) A frase -“comer o pão que o diabo amassou”- é comumente empregada na linguagem popular. Explique o que ela quer dizer.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Toulouse-Lautrec (França, 1864-1901)

Ex-maldito, pintor de bêbedos, prostitutas, gigolôs e artistas alternativos como os circenses, o boêmio Henri­-Marie-Raymond de Toulouse-Lautrec passaria hoje por um produtor engajado, que tematiza comportamentos dos excluídos da sociedade. Um contrassenso em relação a sua origem aristocrática. Filho de Alphonse e Adèle, condes franceses cujas raízes remontam ao tempo de Carlos V, Lautrec nasceu no dia 24 de novembro de 1864, em Albi. Uma anomalia hereditária aliada a uma queda de cavalos selou seu destino, atrofiando-lhe braços e pernas, mas mantendo sua cabeça em tamanho normal – o que parecia transformá-la em algo imenso – e limitando seu corpo a 1,52 m. a deficiência física – advinda do casamento consanguíneo de seus pais, primeiros em primeiro grau – o marcou profundamente desde a infância. Seu irmão mais novo, Richard-Constantine, morreu com um ano. A tendência de os membros da família se casarem entre si para evitar a divisão do patrimônio gerou, no mínimo, outros três primos anões. A saúde debilitada e a separação dos pais antes que Lautrec tivesse completado 4 anos o levaram bem cedo a buscar os pincéis e as tintas. Aos 6 anos, já rabiscava cadernos e, aos 14, produziu as primeiras pinturas a óleo, aproveitando os longos períodos de convalescência ou aqueles em que suas pernas ficavam imobilizadas. A família, como a maioria dos nobres, sempre cultivou a pintura e a música erudita, e seu pai foi exímio desenhista. Em razão da deformidade física, Lautrec não tinha perspectivas de carreira no exército ou na diplomacia. Tudo colaborava para que se dedicasse às artes. Por isso, ele deixou a província aos 18 anos para estudar pintura em Paris. Sua alucinada vida noturna na capital francesa levou o pai a renega-lo e a ceder os direitos de sucessão a Alix, irmã de Lautrec. O artista tinha verdadeira idolatria pelo pai. Também sua mãe, Adèle, muito católica e dedicada à caridade, teve grande influência na vida do pintor. Mesmo separada do marido e abalada com as amizades “pouco recomendáveis” do filho, mandava-lhe dinheiro e cartas. Foi ela quem o levou para casa na ocasião de seu derradeiro ataque de paralisia, em 1901, decorrente da sífilis aguda. O vício, porém, sempre o venceu: Lautrec chegou a sair de um manicômio e ir diretamente para o bar. Em seus últimos anos de vida, em função da rotina desregrada que mantinha desde os 18 anos de idade, passou a sofrer cada vez mais com as crises de saúde. Elas eram constantes e obrigavam o artista a passar longas temporadas à beira-mar. No dia 20 de agosto foi levado a Malromé, onde faleceu em 9 de setembro de 1901. Tinha 36 anos, mas já havia feito história na arte e na noite de Paris com sua vasta e peculiar obra.   


Batons Líquidos Negra Rosa