COESÃO E COERÊNCIA EM REDAÇÕES

Nauria Inês Fontana (UnC)






INTRODUÇÃO

Muitos de nós, provavelmente, já tivemos a experiência de estar numa fila de telefone, numa situação de emergência ouvir a pessoaque está usando o aparelho, conversar futilidades ou repetir indefinidamente as mesmas frases, provocando reações de raiva ou descontentamento em nosso pensamento, pelo motivo de sabermos que “a comunicação bem sucedida é aquela que, levando em conta a situação, alcança um equilíbrio ideal entre informações novas e repetições” (ILARI, 1997: 35), fato que se encaixaria no caso da comunicação através do telefone, bem como de textos escritos, os quais, em poucas linhas, devem transmitir uma informação completa.

As redações que compõem o corpus deste trabalho foram realizadas por candidatos ao curso de Letras – habilitação português / espanhol, na Universidade do Contestado – UnC – Campus de Concórdia – SC, realizado no segundo semestre do ano de 1999, de forma especial, após o concurso classificatório regular, para preenchimento de vagas excedentes.

Nesta prova praticamente não houve concorrência, mas, ainda assim, o fato de se tratar de prova de vestibular altera os resultados, por influência da situação “fortemente impregnada de carga ideológica (...) em que ultrapassar esse umbral significa obter garantia absoluta de sucesso profissional e financeiro” (COSTA VAL, 1994: 45).

As redações que compõem o corpus deste trabalho foram realizadas por candidatos ao curso de Letras – habilitação português / espanhol, na Universidade do Contestado – UnC – Campus de Concórdia – SC, realizado no segundo semestre do ano de 1999, de forma especial, após o concurso classificatório regular, para preenchimento de vagas excedentes. Nesta prova praticamente não houve concorrência, mas, ainda assim, o fato de se tratar de prova de vestibular altera os resultados, por influência da situação “fortemente impregnada de carga ideológica (...) em que ultrapassar esse umbral significa obter garantia absoluta de sucesso profissional e financeiro” (COSTA VAL, 1994: 45).


Isto tudo, e o forte desejo de ser aprovado fará o candidato produzir um texto de acordo com o esperado, ou seja, um texto que agrade aquele que irá corrigir sua redação não o barrando na aprovação do vestibular; “o candidato submete-se a um jogo de poder, à vontade do recebedor” (ibid, p.45), em que sua única intenção é demonstrar que tem domínio das técnicas, do código e portanto, ser aprovado.

REDAÇÃO, COESÃO E COERÊNCIA

Para nossa comunicação, diariamente, utilizamos todos os recursos possíveis: frases soltas mas que naquele contexto tem sentido e, portanto, são e estão coerentes, sendo consideradas textos; expressões faciais; tom de voz; gestos; movimentos do corpo; etc.

Na vida não acadêmica, raramente utilizamos o texto escrito para comunicação e, quando o fazemos, realizamos este ato com um certo cuidado, redobrado até, para que o mesmo seja compreendido pelo outro, pelo leitor, com o mesmo sentido de quando produzido.

Isto ocorre diferenciadamente da produção oral, principalmente porque o interlocutor não está presente e somente através daquela comunicação escrita deverá entender o que deve ser entendido! E nada mais além disto. Portanto, algo qualquer, escrito, merece muito mais tempo para produção e conseqüentemente, compreensão. Os detalhes, quando escritos, são importantíssimos, podendo alterar o resultado final.

Discute-se também, a definição do que seja um texto, levando- se em consideração que todos os objetos podem ser concebidos de várias maneiras, temos também várias concepções. A textualidade ou textura é o que faz de uma seqüência de frases, lingüística um texto sendo que, segundo Koch & Travaglia (1991: 26) “a seqüência é percebida como texto quando aquele que a recebe é capaz de percebê-la como uma unidade significativa global.”

Segundo Koch (1999: 25) um texto se constitui como tal “no momento em que os parceiros de uma atividade comunicativa global, diante de uma manifestação lingüística, pela atuação conjunta de uma complexa rede de fatores de ordem situacional, cognitiva, sóciocultural e interacional, são capazes de construir, para ela, determinados sentidos”.


Leia o texto completo em:
http://www.filologia.org.br/soletras/9/08.pdf

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