Acervo distribuído entre as prostitutas

A genialidade de Toulouse-Lautrec só não o fez antever seu prestígio pós-morte e a milionária valorização de suas obras. Trabalhava de graça para os amigos e não aceitava encomendas, a não ser para cartazes. Como presenteava generosamente, sua extensa obra caiu em mãos pouco cuidadosas. Por sofrer declínio em sua vida, já aos 30 anos voltou a viver com mãe. Provocou, porém, grande tumulto na família por causa de seu comportamento e dos temas de sua obra, o que fez com que seu tio ateasse fogo em algumas telas. Na miséria, a bailarina Louise Weber passou duas delas a um marchand inescrupuloso, que as cortou em oito pedaços, vendendo os retalhos. Em 1926, o Ministério da Cultura francês comprou as duas telas por 400 mil francos, uma fortuna à época. O próprio Lautrec abandonou algumas obras em seu ateliê, em Montmartre. O zelador do imóvel distribuiu mais de cinquenta telas pelos cabarés e bistrôs do bairro mundano que o artista celebrizou, mantendo cerca de trinta “em estoque”. A madeira da moldura era usada para alimentar a lareira, e, com isso, boa parte do acervo desapareceu. Mesmo em família, a destruição de suas obras encontrou adeptos. Seu tio Charles queimou oito telas que considerava obscenas. Ele sequer supunha que pagariam até 3,5 milhões de dólares por uma obra do sobrinho.      

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