O império Carolíngio

 

                A penetração dos germanos alterara definitivamente o mapa político da Europa, porém por muitos séculos o sonho de uma nova unidade política permaneceu vivo. A primeira expressão concreta desse sonho coletivo foi o Império Carolíngio, constituído no ano de 800. Suas raízes, no entanto, eram bem anteriores. A primeira delas é de 496, quando o rei Clóvis, da tribo germânica dos francos, converteu-se ao cristianismo, permitindo uma primeira aproximação com a Igreja. A segunda deu-se em 732, quando o chefe franco Carlos Martel derrotou os mulçumanos que tentavam invadir a Gália e passou a ser visto como uma espécie de defensor de todo o Ocidente cristão. A terceira ocorreu em 751, quando seu filho, Pepino, o Breve, foi coroado com apoio papal, inaugurando a dinastia carolíngia. Em retribuição, entregou ao papa (754) os territórios italianos arrancados aos lombardos.

                Estava assim preparado o caminho para que o filho de Pepino, Carlos Magno, passasse a ser visto como senhor da Europa. De fato, ele venceu definitivamente os lombardos, submeteu os avaros e saxões, forçando sua cristianização. Carlos Magno criou para seus vastos territórios um sistema administrativo que, apesar de muito personalista e rudimentar, estava bem adequado às condições do momento. Assim, conseguia-se certa estabilidade depois de três séculos de vida conturbada para os ocidentais. Preocupado em ter clérigos e funcionários reais mais capazes, Carlos promoveu um movimento cultural conhecido Renascimento carolíngio. Esse período foi mais de preservação da cultura clássica do que de criações originais. Contudo, mais uma vez, era o que no momento se podia fazer.

                Assim, verdadeiro patrono da Europa, não foi surpresa a coroação de Carlos Magno pelo papa em Roma, no natal de 800. Teoricamente, renascia o velho Império Romano. Na prática, tratava-se de algo bem diferente tanto que pouco sobreviveu a Carlos Magno. Seus netos assinaram em 843 o Tratado de Verdun, dividindo o império e desenhando a base do futuro mapa político europeu. Paralelamente, uma nova onda de invasões assolava a Europa Ocidental.

                O fracasso do Império Carolíngio e as invasões dos vikings, mulçumanos e húngaros mostraram ao Ocidente que sua organização político-econômica deveria ser reformulada. A resposta espontânea a essa necessidade foi o surgimento da sociedade feudal por volta do ano 1000.

 Atlas, história geral. Editora Scipione, São Paulo, 2000

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