Análise de algumas variáveis subjetivas da coesão social

Na América Latina não há um conjunto sistemático e coerente de indicadores subjetivos da coesão social. O que de fato existe são informações fragmentadas que dão conta, de maneira ilustrativa, da  realidade latino-americana no tocante a algumas variáveis associadas à coesão social.



Uma das fontes de informação é o Latinobarómetro, uma pesquisa de opinião que não apenas cobre uma ampla gama de temas, mas também apresenta limitações,razão pela qual os dados ue fornece são apenas ilustrativos.

1. Percepções sobre a justiça

O Latinobarômetro mostra que um percentual elevado da população considera que o sistema judiciário não é justo e que, além de discriminar, não funciona efi cientemente. Só pouco mais de um terço dos entrevistados em 17 países (36% em 2001 e 35% em 2003) declara estar “de acordo” ou “muito de acordo” com a afi rmação de que “o sistema judiciário pune os culpados sem que sua identidade importe”. Há, porém, grandes diferenças de opinião entre um país e outro. Na Argentina e no Paraguai, menos de uma pessoa de cada cinco (18% em média) manifesta a mesma concordância, enquanto na Nicarágua e no Uruguai quase a metade (47% em média) dos entrevistados declara estar de acordo com essa afi rmação. Também se observam diferenças que obedeceriam à origem étnica dos entrevistados. Na Bolívia, na Guatemala e no Peru o índice da população indígena 21 que concorda com tal afi rmação é signifi cativamente mais baixo (12,7% e 17%, respectivamente). Cabe levar em conta essa constatação, uma vez que as diferenças em função da origem étnica adquirem maior importância quando se trata de atitudes e predisposições pessoais, que são dimensões subjetivas mais “próximas” dos comportamentos.

2. Insegurança no emprego

Um número grande de latino-americanos expressa preocupação com a possibilidade de perda do emprego em um futuro próximo, um sentimento que aparentemente não mudou desde meados da década passada. Em 2005, três de cada quatro pessoas ocupadas 22 responderam que estavam “muito preocupadas” ou “preocupadas” quando lhes foi feita esta pergunta: “Em que medida você se preocupa com a possibilidade de não ter trabalho ou de estar desempregado nos próximos doze meses?” A análise da série do Latinobarômetro correspondente a essa pergunta mostra um aumento da preocupação das pessoas com a possibilidade de não terem trabalho que atingiu na Região o nível máximo de 80%, em 2002, devido em parte ao incremento registrado na Argentina (de 72% em 2000 para 86% em 2002) e no Uruguai (de 63% para 74% nos mesmos anos). Também se observou um aumento no Brasil, Chile, Honduras e Panamá, nos primeiros anos da década.

Leia o texto completo em:
http://www.eclac.org/publicaciones/xml/4/29354/Cap5Cohesionpr.pdf


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