O Galo e a Raposa


No meio dos galhos de uma árvore bem alta um galo estava empoleirado e cantava a todo volume. Sua voz esganiçada ecoava na floresta. Ouvindo aquele som tão conhecido, uma raposa que estava caçando se aproximou da árvore. Ao ver o galo lá no alto, a raposa começou a imaginar algum jeito de fazer o outro descer. Com a voz mais boazinha do mundo, cumprimentou a galo dizendo:

- Oh! meu querido primo, por acaso você ficou sabendo da proclamação de paz e harmonia universal entre todos os tipos de bichos da terra, da água e do ar? Acabou essa história de ficar tentando agarrar os outros para comê-los. Agora vai ser tudo na base do amor e da amizade. Desça para a gente conversar com calma sobre as grandes novidades!

O galo, que sabia que não dava para acreditar em nada que a raposa dizia, fingiu que estava vendo uma coisa lá longe. Curiosa, a raposa quis saber o que ele estava olhando com ar tão preocupado.

- Bem – disse o galo – acho que estou vendo uma matilha ali adiante.
- Nesse caso acho melhor eu ir embora – disse a raposa.
- O que é isso prima? – disse o galo. – Por favor, não vá ainda! Já estou descendo! Não vá me dizer que está com medo dos cachorros nesses tempo de paz ?!
- Não, não é medo – disse a raposa - mas... e se eles ainda não estiverem sabendo da proclamação?

Moral: Cuidado com as amizades muito repentinas.

(Fábulas de Esopo. Trad. Heloisa Jahn. São Paulo, companhia das Letrinhas, 1999. p. 22)

Postagens mais visitadas deste blog

De um lado cantava o sol - Cecília Meireles

Vermeer e os impressionistas

Depois do sol...