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Contos de fadas

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Os contos de fadas são uma variação do conto popular ou fábula. Partilham com estes o fato de serem uma narrativa curta, transmitida oralmente, e onde o herói ou heroína tem de enfrentar grandes obstáculos antes de triunfar contra o mal. Caracteristicamente envolvem algum tipo de magia, metamorfose ou encantamento, e apesar do nome, animais falantes são muito mais comuns neles do que as fadas propriamente ditas. Alguns exemplos: "Rapunzel", "Branca de Neve e os Sete Anões" e "A Bela e a Fera". Etimologia A palavra portuguesa "fada" vem do latim fatum (destino, fatalidade, fado etc). O termo se reflete nos idiomas das principais nações européias: fée em francês, fairy em inglês, fata em italiano, Fee em alemão e hada em espanhol. Por analogia, os "contos de fadas" são denominados conte de fées na França, fairy tale na Inglaterra, cuento de hadas na Espanha e racconto di fata na Itália. Na Alemanha, até o século XVIII era utili...

O assassino era o escriba

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Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida, regular como um paradigma da 1ª conjunção. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto. Casou com uma regência. Foi infeliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva. Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido na sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva o tempo todo. Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça. Paulo Leminski

Balada do Esplanada - Oswald de Andrade

Ontem à noite Eu procurei Ver se aprendia Como é que se fazia Uma balada Antes de ir Pro meu hotel. É que este Coração Já se cansou De viver só E quer então Morar contigo No Esplanada. Eu queria Poder Encher Este papel De versos lindos É tão distinto Ser menestrel No futuro As gerações Que passariam Diriam É o hotel É o hotel Do menestrel Pra me inspirar Abro a janela Como um jornal Vou fazer A balada Do Esplanada E ficar sendo O menestrel De meu hotel Mas não há, poesia Num hotel Mesmo sendo 'Splanada Ou Grand-Hotel Há poesia Na dor Na flor No beija-flor No elevador

Vício na fala - Oswald de Andrade

Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados

O capoeira - Oswald de Andrade

— Qué apanhá sordado? — O quê? — Qué apanhá? Pernas e cabeças na calçada.

O gramático - Oswald de Andrade

Os negros discutiam Que o cavalo sipantou Mas o que mais sabia Disse que era Sipantarrou.

Ode aos calhordas

Os calhordas são casados com damas gordas Que às vezes se entregam à benemerência: As damas dos calhordas chamam-se calhôrdas E cumprem seu dever com muita eficiência Os filhos dos calhordas vivem muito bem E fazem tolices que são perdoadas. Quanto aos calhordas pessoalmente porém Não fazem tolices — nunca fazem nada. Quando um calhorda se dirige a mim Sinto no seu olho certa complacência. Ele acha que o pobre e o remediado Devem procurar viver com decência. Os calhordas às vezes ficam resfriados E essa notícia logo vem nos jornais: "O Sr. Calhorda acha-se acamado E as lamentações da Pátria são gerais." Os calhordas não morrem — não morrem jamais Reservam o bronze para futuros bustos Que outros calhordas da nova geração Hão de inaugurar em meio de arbustos. O calhorda diz: "Eu pessoalmente Acho que as coisas não vão indo bem Pois há muita gente má e despeitada Que não está contente com aquilo que tem." Os calhordas recebem muitos teleg...