Estudos primários em Vila Teixeira de Sousa; secundários e universitários em Portugal e na Suíça, tendo doutorado em letras pela Universidade de Lausanne. Desertor do Exercito Português e fundador do Exercito Popular de Libertação de Angola (braço armado do Movimento Popular de Libertação de Angola) e seu 1° comandante-em-chefe.
Professor universitário;docência no Canadá, França e Portugal. Presidente do Movimento de Unidade Democrática Angolana para a Reconstrução (MUDAR).
Obras: Kissange (poemas); As Sementes da Liberdade (romance); A Pele do Diabo (teatro); Os Anões e os Mendigos (romance)
Poemas extraídos da obra: ROZÁRIO, Denira, org. PALAVRA DE POETA; CABO VERDE – ANGOLA. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. ISBN 85-286-0675-9
ESCRAVOS
Professor universitário;docência no Canadá, França e Portugal. Presidente do Movimento de Unidade Democrática Angolana para a Reconstrução (MUDAR).
Obras: Kissange (poemas); As Sementes da Liberdade (romance); A Pele do Diabo (teatro); Os Anões e os Mendigos (romance)
Poemas extraídos da obra: ROZÁRIO, Denira, org. PALAVRA DE POETA; CABO VERDE – ANGOLA. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. ISBN 85-286-0675-9
ESCRAVOS
Os homens acharam-se de peito ao relento,
sem terra,
em caminho,
homens sozinhos
acorrentados no terreiro
com os caminhos incógnitos do universo
traçados nos rostos atônitos,
homens de peito ao relento,
quissanges dispersos
nas insônias do mar.
EXPRIMO-ME PELO SILÊNCIO
Exprimo-me pelo silêncio
em torno de mim decretado.
Cumpro pena de ausência
por insubmissão
e reincidência.
Vivo no segredo sintonizado de quem me sabe.
Sou
na negação com que me afirmam.
Reconhecem-me omitindo-me,
Logo existo.
Por isso resisto.
O exílio é a Pátria
que me confirma
no meu país confiscado,
onde a Nação abortou.
Oiço-lhe os gritos
e como outrora
busco as sementes de uma nova aurora
entre as raízes
que ainda o são.
Estou presente
Queiram ou não
Os meus huízes.
O KWANZA
sem terra,
em caminho,
homens sozinhos
acorrentados no terreiro
com os caminhos incógnitos do universo
traçados nos rostos atônitos,
homens de peito ao relento,
quissanges dispersos
nas insônias do mar.
EXPRIMO-ME PELO SILÊNCIO
Exprimo-me pelo silêncio
em torno de mim decretado.
Cumpro pena de ausência
por insubmissão
e reincidência.
Vivo no segredo sintonizado de quem me sabe.
Sou
na negação com que me afirmam.
Reconhecem-me omitindo-me,
Logo existo.
Por isso resisto.
O exílio é a Pátria
que me confirma
no meu país confiscado,
onde a Nação abortou.
Oiço-lhe os gritos
e como outrora
busco as sementes de uma nova aurora
entre as raízes
que ainda o são.
Estou presente
Queiram ou não
Os meus huízes.
O KWANZA
O Kwanza é um rio bonito
que corre aflito
para Luanda, a catita.
Por onde passa recita
um rosário de gritos.
O Kwanza é caseiro
e às vezes molengão;
é um rio de papel
que escorre de mão em mão num tropel
o ano inteiro
a fingir que é dinheiro.
O TRATOR
Somos um povo que olha a terra
a menos de um metro do chão,
rins quebrados
peito fremente.
Somos um povo semeador
De pés magoados
Entre raízes e suor.
O nosso pai deixou-nos uma enxada
e um pedaço de terra favorecida.
Para a cultivar
o meu irmão pôs-se a sonhar
com um trator.
Do estrangeiro, prontamente,
lhe enviaram um estranho trator.
tantas rodas
tão grande motor!
O trator do meu irmão
tem na frente um canhão.
GUERRA
Dois meninos sentados
um terceiro de pé
todos irmanados
na orfandade de um pé.
EXÍLIO
Tange, tange kissange
ele absorto
ela magoada.
que corre aflito
para Luanda, a catita.
Por onde passa recita
um rosário de gritos.
O Kwanza é caseiro
e às vezes molengão;
é um rio de papel
que escorre de mão em mão num tropel
o ano inteiro
a fingir que é dinheiro.
O TRATOR
Somos um povo que olha a terra
a menos de um metro do chão,
rins quebrados
peito fremente.
Somos um povo semeador
De pés magoados
Entre raízes e suor.
O nosso pai deixou-nos uma enxada
e um pedaço de terra favorecida.
Para a cultivar
o meu irmão pôs-se a sonhar
com um trator.
Do estrangeiro, prontamente,
lhe enviaram um estranho trator.
tantas rodas
tão grande motor!
O trator do meu irmão
tem na frente um canhão.
GUERRA
Dois meninos sentados
um terceiro de pé
todos irmanados
na orfandade de um pé.
EXÍLIO
Tange, tange kissange
ele absorto
ela magoada.
E o sonho morto.
Toda a memória não é nada
para tantos desenganos,
na larga factura dos anos!
E a mente tão cheia
de tanta terra alheia!
Tange, tange kissange
recordar não cansa
chorar não consola
nem os descansa
de pensar em Angola.
NOTA EXPLICATIVA SOBRE OS POEMAS
I – Ciclo do Desencanto Nacional
“Kwanza” – brincadeira poética em torno do Kwanza ( o maior rio de Angola), e a moeda nacional com o mesmo nome, uma espécie de caricatura de dinheiro, pois a verdadeira moeda de Angola é o dólar.
“Exprimo-me pelo silêncio” - poema de resistência ao regime marxista vigente.
“O Trator” e “Guerra” – a condenação da guerra civil que tem flagelado o país.
“Exílio” – O regime e a guerra civil condenaram uma parte significativa da população a abandonar o país.
(In “Boletim do Movimento de Unidade Democrática Angolana para a Reconstrução”)
II – Ciclo da Negritude
“Escravos” – a memória do passa
(In “Antologia Temática de Poesia Africana” e “Kissange”, respectivamente de Mário de Andrade e do autor)
(In “Antologia Temática de Poesia Africana” e “Kissange”, respectivamente de Mário de Andrade e do autor)
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